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19h50.

“Tá vendo?”, me pergunta o editor Juan Torres. A voz de Oscar Valporto, editor executivo do CORREIO, ecoa Redação afora. “Faltam dez minutos para o fechamento, por isso Oscar gritou”. Para o fechamento de algumas matérias, que fique claro: o jornal não vai para a gráfica todo de uma vez. E, além do grito, tem todo um sistema que coordena essa etapa crucial para que, no dia seguinte, possamos ler as notícias do dia.

Confesso que achei a atmosfera mais calma do que imaginava. Divididos pelas editorias, nesse terceiro dia de imersão, acompanhamos o falado fechamento, tão homenageado – e nem sempre honrosamente – pela ficção. No lugar dos fios de cabelo arrancados, lágrimas e palavrões, encontramos sinais mais discretos de tensão, como os olhos vidrados de Juan na tela do computador. Na sua editoria, ele cuida das matérias que saem no 24h e  eventualmente no Mais, como foi o caso da manchete de hoje.

O trabalho é partilhado com mais um editor, o coordenador e a chefe de reportagem. Uma força a mais, porém, é bem-vinda. “Você não vai dar essa foto, não?”, pergunta o repórter Alexandre Lyrio, a respeito de uma foto que acabou não saindo. “Não gosto muito de dar [foto com] corpo…”, pondera Juan. Para quem ficou curioso, posso dizer que, apesar do assunto forte, era uma foto eficiente e elegante; o corpo estava resumido a pés em primeiro plano e nenhuma gota de sangue aparente. Mesmo assim, talvez pudesse desagradar o leitor pela presença da morte explícita na imagem. Em acordo com outro editor, o veredito foi dado – agora, a quem não viu, resta usar a imaginação.

Como dá para perceber, nada que ocupa as páginas de um jornal é disposto aleatoriamente, desde as fotos até qualquer mísera palavra. “Temos que evitar as viuvinhas”, apontou Juan, se referindo a sílabas que, com a digitação do texto no template da página, sobram solitárias no início ou no fim dos parágrafos. A solução do problema é reescrever, até caber tudo direitinho, sem prejudicar o sentido do texto. Selecionar, organizar, substituir, cortar e acrescentar são os verbos mais conjugados na edição.

O fechamento é, portanto, um momento de decisões, e para isso a experiência dos editores é fundamental. Essa tarefa se torna mais fácil com o trabalho de equipe envolvendo também repórteres, infografistas, fotógrafos, que devem contribuir com sua parte dentro do prazo estabelecido, para não atrapalhar o fluxo do trabalho. Mas também há espaço para a diversão. “Às vezes fica todo mundo dando palpite, tentando inventar um título”,  conta Juan. Quando saí da Redação, se discutia o título da página 3, que seria ocupada com o assunto que dominou o dia de ontem. De manhã, ainda na banca, vi o resultado: “É chuva, viu?”. Sentindo o sol que, depois desses dias encharcados, já ardia nas minhas costas, acho que, pelo menos a chuva não seria um desafio no fechamento de hoje.

Luana Ribeiro