Sobre a empatia e os post-its mentais

Quarta-feira (19) foi o nosso primeiro bate-papo na redação do CORREIO. Ouvia as experiências contadas pelo secretário de redação, Paulo Leandro, enquanto observava a movimentação da equipe do impresso. O que via servia de cenário para tantas novas informações que nós, Jornalistas de Futuro, descobríamos. Quando a palavra empatia se destacou na fala de Paulo, eu estava justamente me indagando onde, num futuro possível, estaria sentado. Ele se referia a habilidade adquirida pelos repórteres de se colocarem no lugar do outro – do leitor, especialmente – como um fator que otimiza o que se quer dizer a este.

Se nós, estudantes de comunicação, precisamos desenvolver essa aptidão, o primeiro passo já foi dado: o programa Jornalismo de Futuro permitirá que nossa equipe (composta por dez alunos da Faculdade de Comunicação da UFBA – Facom) experimente o lugar de repórteres, editores, fotógrafos, designers, empreendedores. Há tempo que faço essas projeções ao folhear jornais, penso como faria para descobrir certas informações e como escreveria determinada matéria. Confesso que, nessa visita, até vislumbrei futuras premiações, após sabermos na redação que duas reportagens e três capas do CORREIO disputam o Prêmio Esso de Jornalismo.

No primeiro dia de imersão conversamos com Paulo Leandro e acompanhamos a reunião de apostas do final de semana e a de fechamento da edição do dia seguinte. “Pauteira”, como se denomina, Linda Bezerra desvendou na quinta-feira (20) as manhas de “como se descobrem as coisas”.

Permitam-me o exercício da empatia. Compartilharei com vocês algumas ‘notas mentais’ identificadas nesses primeiros dias de imersão no CORREIO, colocando-me no lugar de repórter:

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Se a web e a TV já deram a notícia, não se desespere, lembre da exposição de Linda Bezerra: “A notícia está no detalhe!”, esgote as possibilidades de apuração e ouse enxergar além do factual fatigado nos outros veículos e meios de comunicação. Ah, e ainda nesse caminho, é bom lembrar que o cenário diz muita coisa – assim como as mãos falantes de Linda parecem desenhar asteriscos no ar, de tanto que a mulher respira a essência do CORREIO.

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Sempre Alerta: As notícias estão por toda parte.

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Narizinho empinado? NOT!  Lembrar, Alexandro, que Linda ponderou que não podemos “brigar com a notícia”. É só medir o que os fatos têm de relevante, interessante ou até o quanto eles podem proporcionar de entretenimento – afinal, ninguém é de ferro – para descobri se são ou não noticiáveis, independente dos nossos pré-conceitos.

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Fervilhando as informações na cabeça, hora de escrever: lembrar que não se aprofunda só com o texto, é preciso pensar visualmente as notícias. Fixar as dicas de Paulo: valor informativo, legibilidade e beleza devem ser lembrados na hora dessa construção.

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Horizontalidade no trato e na disposição do espaço físico melhora a comunicação na redação.

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Ao apurar por telefone, lembrar das histórias de Linda Bezerra e da proteção que o meio garante. Obviamente dentro dos princípios éticos, é você quem manda. Segurança, esperteza e raciocínio rápido são fundamentais para que a fonte sinta-se à vontade para cooperar com a sua produção.

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Vou ali comprar uma caixa nova de post-it, ainda há muito que aprender.