Dentes e notícias

Dentes e notícias

Por Carol Gomes

Agora há pouco estava conversando com uma amiga sobre como foram esses primeiros dois dias na redação do CORREIO. Minha amiga, estudante de Odontologia, ouvia minhas histórias com a maior atenção.

– Você não tem a mínima noção de como é feito um jornal! É muita coisa, é muita gente envolvida. E tem as mil notícias de todos os dias, que são escolhidas e são derrubadas, e outras são publicadas, é uma loucura! Tá entendendo?

– Tô.

– Eu tô falando sério! Você acha que isso não influencia na sua vida?

Tudo bem, acho que o espírito da coisa me contaminou completamente. Minha amiga, coitada, podia não estar entendendo tudo que eu falava, mas certamente percebeu o meu entusiasmo.

– E tem a chefe de redação, Linda Bezerra, que é uma daquelas pessoas que iluminam o salão, sabe?

– O que é que ela faz lá?

– Ela é a pauteira.

– O que é isso?

Foi a partir daí que eu percebi o tal “mundo encantado” do jornalismo, como repetiu Lidiane do RH que nos guiou por um tour na Rede Bahia logo no início do programa. Existe esse mundo dinâmico, cheio de palavras novas – abre-convite, meia crônica, cisco -, estratégias, notícias interessantes e relevantes, fontes e ética jornalística. Neste mundo, a apuração está nos detalhes, a credibilidade é o maior troféu, a agenda das fontes começa na faculdade, o jornalista é o fofoqueiro com exatidão e o pauteiro é como um poeta atento a qualquer coisa ao seu redor.

– Hum, então quer dizer que você precisa estar ligada em tudo a todo momento e não para nunca de trabalhar, é isso?

– É mais ou menos isso.

– Prefiro ficar com os dentes.

– Tá bom, me deixa com as notícias.