Nas escolas, nas ruas, campos, construções…

Nas escolas, nas ruas, campos, construções…

Dentre tantas teses sobre a origem das notícias, pautas e personagens da vida real, a que mais me agrada é a de que as notícias são encontradas nas ruas, da observação da cidade. Na redação, as poucas linhas ou palavras que orientam as pautas são apenas o carimbo no passaporte para os lugares que contém a matéria-prima das notícias: respostas, questionamentos, cenários… E, principalmente, sentimentos humanos.

 São nas mesmas ruas – de terra batida ou de asfalto, agitadas ou sombrias, às vezes disfarçadas de coletiva de imprensa ou conhecidas como pontes telemáticas etc. – que o repórter encontra, de poeira do cotidiano, a escândalos políticos.

Está aí, a-pu-ra-ção. Com o Programa Jornalismo de Futuro tenho confirmado minhas suspeitas: entre a ideia e o consumo do jornal, a descoberta é a etapa mais prazerosa da produção da notícia. Já falei aqui da ansiedade em ir às ruas para apurar e, estando lá, não encontro outro sentimento que não o da adrenalina para melhor definir a sensação. Engana-se quem pensa que essa sensação só está presente em apurações que envolvam perigos. Não ter uma informação e precisar descobri-la da melhor maneira possível é o que movimenta essa sensação, seja qual for a pauta.

Para o repórter, é sempre “tudo novo de novo”, como diz a música do Paulinho Moska. É esse ineditismo que garante a excitação para o exercício da profissão. Em duas oportunidades, nas ultimas semanas, os jornalistas de futuro foram a campo para aquecer para etapa de apuração que nos espera.

Acompanhados da repórter Lais Vita e da repórter fotográfica, eu e Ruan Ramon, percebemos que a apuração começa no carro. Por um lado teve a ver com os nossos questionamentos sobre a pauta, mas também o motorista é um aliado na hora de escolher o lugar onde apurar. A pauta foi aparentemente fácil (principais dúvidas e dicas para o vestibular da UFBA), mas trabalhosa. Esquivar-se das respostas monossilábicas pareceu-me um desafio diário da vida da repórter. Óbvio que existem fontes e fontes, as quais exigem tratamentos diferenciados. Nesse ponto, a simpatia de Lais e de Andréa foram fundamentais para que os vestibulandos relaxassem e se sentissem ‘entre amigos’, à vontade. Acho isso fundamental para captar uma declaração sincera e sem interferência do nervosismo, por exemplo. Foi bacana o exercício de também entrevistar um estudante, sentir na pele as dificuldades e a alegria de conseguir rabiscar no bloquinho de anotações as informações. Isto me alegra.

Voltando a falar da adequação da abordagem por tipo de fontes, saltamos de vestibulandos para políticos. Esse último, pela grande bagagem de informações e especializações, exige perguntas que cerquem de maneira mais precisa um determinado tema. Na última quinta-feira (10), o Programa proporcionou uma coletiva com o secretário estadual para Assuntos da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014 (Secopa), Ney Campello, a que avalio como bastante produtiva. Para a profissão que escolhi, background é ferramenta de trabalho: impressionei-me como Paulo Leandro, secretário de redação do CORREIO, que nos acompanhou na entrevista, tem a história do futebol baiano, quiçá nacional, em mente, e como isso o ajudou a fazer perguntas embasadas. Ao mesmo tempo, identifico como minha experiência com assessoria política ajudou a fazer perguntas que me deram as respostas desejadas.

Quanto à visita à obra da Arena Fonte Nova, me senti em órbita, vendo o mundo. Tentei pensar além de todas aquelas máquinas e concreto, e divaguei: uma construção se faz com gente, com histórias. Isso me martelou. Fiquei me questionando o quanto a construção desse importante equipamento para a cidade cruza as mil e duzentas histórias que trabalham para erguer a nova arena.

*Para saber mais sobre fontes jornalísticas e suas tipificações, consultar, entre outros autores, Stuart Hall.