Um sim acolhedor

Um sim acolhedor

Numa manhã ensolarada, com sensação térmica chegando a 50ºc , trajando  uma roupa nada propícia e confortável para o calor, eu estava,  literalmente, cozinhando no Centro. Percorrendo uns trechos mais conhecidos de Salvador, eu andava me esquivando dos carros e dos pedestres em ritmo acelerado, mas por mais que você esteja atento, vai se esbarrar numa pessoa com mais pressa que você.

Meus últimos dias têm sido assim: uma viagem constante ao Centro de Salvador. Embarcando na história de imigrantes que firmaram comércio por lá.  Nestas “andanças” me deparo com uma moça, proprietária de um restaurante. Com seus trinta e poucos anos,  1,60 de altura, cabelos castanhos e o comprimento chegando nas orelha ela não disfarçou e me escorraçou do restaurante quando eu tentei conversar: “não quero falar. Saia daqui e vá procurar outra pessoa”.  Foi o que fiz, fiquei tão assustada com a reação da moça, que até então me parecia simpática, que fui saindo da loja com as mãos para cima e levantando uma bandeira branca, pedindo paz.

Não relutei e nem respondi, apenas fui embora. Da porta do restaurante ela ficou conferindo se eu já tinha saído. Pensei em voltar e dizer umas verdades, mas enquanto uma aprendiz de jornalista, fui embora e respeitei a decisão.

Depois do  ‘escorraço’ veio a simpatia e bom humor de uma das fontes. Lara Bastos é minha dupla nesta pauta e juntas estamos perdendo alguns quilos de tanto andar pelo  Centro . Sem desistir,  hoje tivemos a alegria de encontrar um personagem e uma boa história para contar.  Foi um dia produtivo. Sentadas na frente do estabelecimento, parecia que já éramos íntimos. Fomos tomadas pela alegria de um chinês, conversamos, conhecemos sua família, alguns amigos e ainda ele nos ofereceu um almoço. Rejeitamos, mas o convite está de pé.  Outro dia retornamos!

De muitos nãos, um sim da vida. Um sim acolhedor e recheado de histórias! O que fica são as experiências e o aprendizado.