Cobertura do Enem

Cobertura do Enem

Na última sexta-feira (24), Linda, a chefe de reportagem, pediu que três voluntários cobrissem o Enem no sábado pela manhã. Não pensei muito: Quero! Mariana e Adônis também aceitaram o desafio. No dia seguinte, viemos para a redação às 9h e escolhemos os locais de prova com maior concentração de pessoas, Ufba, Colégio Central e outros próximos como Getúlio Vargas e Duque de Caxias.

Eu fui para a Escola Politécnica da Ufba, aqui do lado da Rede Bahia. Assim que cheguei, uma vendedora me abordou com um kit:  “Água, meu amor, canetinha, um lanchinho, vai?”. Tirei o crachá do bolso e disse que não ia fazer a prova, mas quis saber os preços. Caneta e água engarrafada a R$2,00. Para os chorões, a caneta saía a R$1,50.

A movimentação de vendedores era grande logo cedo, uns oito ou nove para um único portão, muito agitados porque as vendas iam mal. Fui abordando alguns estudantes discretamente, ainda meio tímida. Achei irmãs gêmeas, deu uma foto legal, mas não as ouvi muito bem e fiquei chateada comigo mesma. Estava tudo fluindo até os vendedores perceberem que eu era “do jornal”.

“Tira uma foto minha aí, fia”. Tirei uma foto dos artigos que estavam vendendo. Foi um trabalho difícil me desvencilhar desse pessoal e por um momento eu tive que ser grossa. “Olha, eu sei o que eu estou fazendo, então me deixe fazer”, eu disse com minha cara empinada. Surtiu efeito.

Raiane, de 15 anos, comprou três caixas de canetas para vender

Depois de clicadas, todas as fotos eram enviadas para a redação via WhatsApp. Wlad, o editor do site, nos deu algumas broncas e orientações e começamos a organizar melhor a bagunça, além de apurar mais sobre as histórias. Conversei com pais que levavam os filhos para que se sentissem mais seguros, uma moça que revisava os assuntos antes de entrar, pessoas que esqueceram de comprar a caneta, que estavam fazendo a prova pela primeira vez…

Um grupo de amigos muito sorridente para quem estava prestes a encarar cinco horas de prova

Um grupo de amigos muito sorridente para quem estava prestes a encarar cinco horas de prova

Os portões seriam fechados ao meio dia. A grande hora se aproximava. A Ufba é muito confusa porque existem muitos campus e muitos portões. Às 11h50 ainda tinha gente sem se localizar. Como estudante da instituição, fui ajudando alguns perdidos e aproveitando para ouvi-los ali na correria mesmo. As pessoas que chegavam em cima da hora apressavam o passo, a velocidade das cenas aumentavam e as fotos não estavam ficando legais. Era hora de gravar. Fui capturando o desespero e era impossível não rir. Até quem ia chegando atrasado ria de si mesmo.

Foi incrível e divertido. Tive uma perspectiva diferente sobre o Enem, uma visão externa. Há dois anos eu é que estava ali prestando vestibular. Sofri uma leve epistaxe por causa da longa exposição ao sol, nada grave. Aprendi a lidar com fatores externos que poderiam me atrapalhar na apuração, dei uma de Napoleão. Rá.

Vejam aqui a galeria fotográfica da cobertura do primeiro dia do Enem.