Liberdade expressão e o silêncio dos que querem chorar seus mortos!

Liberdade expressão e o silêncio dos que querem chorar seus mortos!

Salvador, 13 de outubro de 2015, enterro do George Saldanha, jovem de 26 anos, cheio de sonhos, trabalhava numa concessionária de veículos e que sem explicação atirou o carro que dirigia contra parede e veio a óbito. A equipe do *Correio foi direcionada para lá e eu fui uma das repórteres escalada para cobrir o velório. Enquanto estávamos no carro em direção ao cemitério eu fui me preparando psicologicamente. Chegando no local sondei, observei as pessoas, quais eram as suas faixa etárias, o que  falavam nos corredores e encontrei pessoas que eu conhecia facilitando um pouco a minha compreensão, pois para me ele era um desconhecido e conversando com as pessoas eu consegui entender ou descobrir quem  era aquele jovem que estava sendo velado e o porque daquela comoção publica, afinal se tratava de algo muito comum, que é a morte, porém delicado por não seguir a regra natural da vida.

Logo, percebe muita discrição por parte dos veículos de comunicação, (impresso e online), que estavam ali presente, sem flash de câmeras, tudo tranquilo porém algo estava

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acontecendo silenciosamente, logo, tirei o crachá e me transformei numa pessoa que foi ali se despedir do jovem e foi assim que consegui entrar no velório e me aproximar do corpo, conhecer seus familiares e pessoas próximas. Olhei para o George e vi que poderia viver muito e dar outro destino a sua vida. Enquanto eu  me comovia com a mãe que se negava a deixar fechar o caixão, ouvir um burburinho, então uma colega do jornal A tarde veio me avisar que um dos meus colegas do *Correio, estava sendo hostilizado pelos parentes do jovem. Corri para ver o que acontecia e vi que a irmã do George junto com mais cinco pessoas estavam gritando e ameaçando o colega que só estava ali fazendo seu trabalho de noticiar um fato. Só isso!

Temos uma constituição que garante liberdade de expressão e que essas são cláusulas pétreas da Constituição, ou seja, um dispositivo constitucional que não pode ser alterado nem mesmo por Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Mas naquele momento aquele direito foi negado de forma bruta, pois um dos insatisfeito colocou a mão cintura e deixou subentendido de que ele estaria armado e que não teria nenhum problema em atirar se isso fosse julgado por ele necessário. Senti na pratica que as leis existem porem coloca-las a nosso serviço é muito mais difícil, imaginem se ele atira, teríamos um Tim Lopes baiano, muito preocupante isto e reflexivo também!