Na posição de profissionais de comunicação sempre existe uma expectativa de que todo jornalista goste de conversar bastante, escrever bastante, que eles se comuniquem de todas as maneiras possíveis, uma vez que isso é entendido como um dos pilares essenciais para exercer as atividades jornalísticas.
No entanto, percebo na minha experiência que para além de termos esse potencial comunicativo, é necessário sabermos também o momento de nos silenciar. Na última semana, tive o prazer de entrevistar a relações públicas Léa Menezes, uma mulher altamente empoderada, politizada e cativante. Ao lado da minha colega, Renata Drews, embarcamos em um bate-papo estarrecedor, onde nossas mentes foram ampliadas a novos níveis.
A gente se identificava com cada uma das palavras de Léa, e não satisfeitos, resolvemos também nos pronunciar, mostrar o que sabíamos a respeito do assunto, contar as nossas experiências, exibir os nossos pontos de vista, responder as perguntas formuladas por nós mesmos. De repente, não era mais uma entrevista de caráter jornalistico. Parecia uma conversa entre amigos, um desabafo sobre aqueles assuntos que a gente sempre observa, mas raramente temos a oportunidade dizer.
A experiência era, individualmente, sublime. Porém, já não era mais perceptível quem era o entrevistador e quem era o entrevistado, porque havíamos nos corrompido com a sede de protagonismo, com a simpatia da fonte, e com a necessidade incessante de expor nossas opiniões. Um erro significativo, pois logo depois, com muita maestria e de forma didática, nos foi esclarecido que dentre muitos momentos na profissão, a entrevista é aquele na qual o jornalista deve permanecer calado, atendo-se somente a sua pergunta.
Não que deva ser engessada e entediante, afinal também é nossa função instigar a fonte a revelar mais e levantar alguns contextos para que as perguntas façam sentindo, mas se em um dado momento, o jornalista fala na mesma proporção do entrevistado, ou mais que ele, certamente, haverá algo de errado, pois aquele, definitivamente não é o nosso momento.
No diálogo das entrevistas, nós somos aprendizes, estamos ali para absorver e nos informar. Nós não fazemos do mundo, o mundo, nós o tornamos atingível para que as pessoas o reconheçam como tal. A lição é simples, e pode ser resumida em uma onomatopeia: na hora de entrevistar….shhh!

Foto: Nuno Miguel Martins | Reprodução Tumblr