
Se um leitor do século XIX viajasse no tempo e tivesse acesso a uma página de jornal nos dias de hoje, certamente uma das perguntas que ele faria seria: “Onde foram parar aquele monte de letras que eu lia aqui diariamente?” Ganhando cada vez mais espaço nas páginas dos diários, as imagens tornaram-se tão importantes na composição dos jornais impressos que, atualmente, em nada eles lembram as gazetas repletas dos blocões de texto no passado.
Embora seja um assunto deixado em segundo plano nos cursos de jornalismo, nas redações, o design das páginas tornou-se tão importante quanto os cuidados com o texto. Em época em que o jornalismo no papel busca formas de permanecer atraente e agradável para o leitor, os recursos visuais deixaram de ser itens meramente ilustrativos no precioso espaço em um jornal, como nos conta Márcio Costa, editor de fotografia do Correio. “A imagem, tanto na fotografia como no infográfico, é outro elemento para informar. Não é apenas algo para cobrir o texto do repórter. Se você repete o que está sendo escrito, acaba sendo redundante. Como o espaço do jornal é limitado, quanto mais você aproveitar a informação, você está se preocupando com o leitor, que é o objetivo final”.
Ninguém quer mais entrar numa floresta cheia de texto
Nesse novo cenário, os designers gráficos deixam de ser coadjuvantes no processo de composição das páginas. “Os editores-chefes perceberam que a editoria de arte não é apenas um lugar onde se tem um profissional para fazer desenho, e sim o lugar onde se pensa jornalismo de forma visual, pois o mundo consome design o tempo todo. Essa geração, que tem um repertório visual mais aprofundado, que foi alfabetizado visualmente assistindo desenho animado, lendo HQ, vendo cinema, precisa ter uma resposta do jornal. Ninguém quer mais entrar numa floresta cheia de texto. Agora somos bombardeados por textos em forma de imagens”, afirma Iansã Negrão, editora de arte do jornal Correio.
E o que isso muda para o jornalista? Muda sua maneira de construir sua reportagem. Se antes sua atenção ao transpor sua matéria para as páginas concentravam-se nas regras do manual de estilo da empresa, agora deve entender também sobre os recursos visuais aos quais o jornal dispõe para compor a matéria também de forma não-verbal, claro, sem perder de vista que a informação sempre é a prioridade.