(Foto: Reprodução)

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Uma tarde de segunda-feira, um jornalista da editoria de esporte e um julgamento equivocado. Foi assim que o bate-papo com Ivan Dias, subeditor do caderno de esporte do CORREIO, no primeiro dia da fase de palestras, começou para mim. A princípio, sem muitas expectativas. Equivocada, fui logo pensando: “Ah, não entendo nada sobre futebol. Não vou conseguir cobrir esporte”. (PÊÊÊN!) Errado! Logo fui surpreendida.

Da cobertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 para uma conversa franca com os mais novos integrantes do Programa CORREIO de Futuro, Ivan compartilhou as suas experiências na terra carioca. Relatos muito ricos, de fato. Mas o que me causou rebuliço foi uma fala que, na realidade, é uma verdade ignorada por muitos iniciantes – por mim, inclusive: “Jornalismo esportivo, antes de tudo, é jornalismo. Se é jornalista, é jornalista para qualquer coisa”, contou ele.

Eis o tapa na cara. Tal afirmação me fez refletir e, pior, me fez chegar a conclusão de que os meus próprios argumentos eram uma fraude. “Sim! Encare isso, Renata!”, pensei. Então venha, reflita comigo, minha cara.

Você não pode dirigir um carro e querer colocar a quinta marcha sem antes passar pelas anteriores, certo? Para isso, é preciso saber usar as outras marchas, saber como passá-las para chegar até onde deseja. Só assim o carro anda. Só assim se chega ao destino. No jornalismo acontece da mesma forma.

E ninguém quer ser metade de nada. Alguém já viu meio médico? E existe meio jornalista? Ou é ou não é. Quem não é inteiro, nem metade será. É preciso ser completo, ser um total. Ainda mais em uma era de bloggers, youtubers, facebookers e outros “ers” que estão surgindo por aí. Uma era de tamanha agilidade digital que te força a ser mais veloz que a velocidade da luz ou então a mostrar o que você traz de incomum.

Exageros à parte, o grande diferencial de um jornalista está na apuração, na credibilidade e na forma de contar uma história. Os olhos alheios podem ver o mesmo que você, mas só o seu olhar é suscetível de interpretação singular, de analisar os fatos com outras lentes. Os demais podem ser rápidos, mas você é capaz de ir além, de confirmar informações e de se mostrar credível. E a única forma de firmar espaço é justificando o porquê está aqui. Por quê você está aqui, afinal? Você é inteiro?

É óbvio que existem as áreas de domínio. É possível gostar de uma editoria específica e querer se especializar nela, mas, antes de tudo, é preciso aprender a ser jornalista. E o que é ser jornalista? É ser bom leitor de mundo, é estar bem informado. É saber pautar, saber perguntar, apurar ao máximo e, por fim, saber escrever. Se souber fazer tudo isso, conseguirá dominar a cobertura de qualquer editoria.

Mas entenda, com “bom leitor de mundo” eu não quero apenas dizer estar atento e saber o que acontece ao redor do globo. O que pretendo significar vai além do sentido literal: é preciso ter olhar aguçado para os detalhes, é preciso refletir, observar e perceber o cotidiano. É necessário ler o mundo, as pessoas, suas falas, atitudes, olhares, e extrair significados. Para isso, apreciar ou desapreciar uma temática pouco importa. Se o que é necessário é tangível, qualquer área é atingível.

É um desafio? Claro. Mas como diz a canção da banda britânica Coldplay, “ninguém disse que seria fácil” (rs). O que exige esforço vale a pena ser conquistado. Se não te desafia, talvez não possua tanto valor. Guarde: o sucesso está sim a um passo da sua zona de conforto. Pois então, Esporte, me aguarde! Ah! E também não esqueça, é claro: seja inteiro, não seja metade.

Renata Drews
Renata Drews
7º semestre na Fsba – Tem 22 anos com tamanho de 12! É uma canceriana que adora gentilezas, sorrisos sinceros e sonha em conhecer o mundo. Apaixonada pelo universo dos livros, pela moda, fotografia e por colagens. Pode ser inquieta e ansiosa mas o que a move é a sede por aprender e descobrir. Também é graduanda em Letras com Francês na Ufba.