Transparência e humildade no jornalismo

Meus primeiros dias no Correio de Futuro foram fascinantes. Além das visitas que fiz às redações que integram o grupo de mídia da Rede Bahia (Rádio CBN, Bahia FM, TV Bahia e, é claro, o jornal Correio), as palestras e conversas que eu e outros nove selecionados pelo Correio tivemos foram inspiradores e enriquecedores do ponto de vista ético e jornalístico.

O que me chamou atenção especial foi o papo que tivemos com a editora-chefe do Correio, Linda Bezerra. Entre os temas abordados por ela, dois pontos me atraíram: a humildade e a transparência no meio jornalístico.

O tema humildade pôde ser notado quando Linda afirmou que os selecionados deveriam entender que estão ali para aprender e que por isso deveriam se livrar de qualquer arrogância.

Ela demonstrou transparência ao deixar bem claro qual é a posição editorial do Correio. A humildade é aspecto necessário para o desenvolvimento da intelectualidade. Sócrates, talvez o maior filósofo da Grécia Antiga, entendia que o individuo poderia atingir a sabedoria se deixar o orgulho e a pretensão de lado e reconhecer sua ignorância.

O jornalismo é uma atividade intelectual e é um saber dinâmico. O bom jornalista tem consciência disso, portanto está sempre disposto a aprender. Ao entender isso, percebo o quanto a lição da editora-chefe é importante.

O mito da imparcialidade já caiu há tempos. Por isso a transparência é um aspecto que todo bom jornal deve ter e que todo bom jornalista também. Na edição impressa de domingo (25/09) o The New York Times disse em Editorial que vai apoiar a eleição de Hillary Clinton. Isso evidencia que a postura transparente de Linda novamente deve ser considerada. Em poucos manuais de jornalismo se encontra um ponto de vista assim.