Nada me parece mais glorioso do que um trabalho que te enriquece profissionalmente, aprimora suas habilidades, dimensiona na prática os seus conhecimentos e também te engrandece como ser humano, como pessoa.
Quando soube que iria, pela primeira vez, para as ruas desenvolver um trabalho jornalístico na busca de personagens que tivessem boas histórias para contar e opiniões firmes para dar, todas as minhas inseguranças gritaram no meu subconsciente e eu caí em devaneios. Talvez eu não estivesse preparado para a experiência, sempre fui um fracasso como ser social e meu look também não parecia muito adequado. Quem me levaria a sério usando calça skinny de estampa militar, um mocassim velho com fivela desgastada e uma camisa justa do Correio de Futuro? Quem iria responder às perguntas de um jovem suado com um bloquinho desmanchado e um nervosismo típico de amadores? Foi pensando nisso que em um dado momento eu percebi que não estava inseguro, nem nervoso, nem atormentado, eu estava desesperado!
Com a doce Maria Landeiro (estagiária de cidade do Correio*) no comando, cheguei ao nosso destino. Lá encontramos uma imensidão de pessoas que me faziam não saber por onde começar. Inicialmente resolvi apenas observar como ela faria, de que forma começaria aquela abordagem tão misteriosa para mim. A surpresa me assaltou, foi tudo tão simples, tão natural e logo me toquei de que não há na conversa com possíveis personagens para uma reportagem nenhum segredo tão secreto assim. Basta ser educado, apresentar-se sem muita pompa e adentrar na atmosfera das pessoas que estão presentes, sem usar termos complicados, sem perguntas complexas e paradoxais, tudo funciona como uma conversa cotidiana.
Na minha vez de fazer sozinho, já estava bem mais tranquilo e ciente do como funcionava o processo. Avistei uma moça sentada na grama com os filhos brincando ao redor, a cena perfeita para a minha pauta. Me aproximei calmamente, disse quem eu era, e mesmo eu não sendo grandes coisas assim, fui recebido com um sorriso iluminador. Fiz minhas perguntas de forma muito simples, deixei que ela falasse tudo o que tinha para falar, quando menos me dei conta, lá estava eu imerso no que parecia ser um bate-papo entre amigos íntimos, sentado na grama anotando no meu bloquinho desmanchado as enriquecedoras informações que a moça me passava. Bippity-boppity-boo, foi como um passe de mágica.
Depois daquilo, tudo foi simples e natural, como de fato é. Voltei para a redação com a certeza de que meus devaneios foram um tanto desnecessários, pois não há porque ter medo das pessoas se, no final das contas, elas são só pessoas.

Foto: Operários (Tarsila do Amaral)