Lugar de jornalista continua sendo na rua

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Meu terceiro dia de imersão foi enfiado na redação, construindo noticias através da apuração pelo telefone. Gostei muito, mas ainda prefiro gastar a sola do meu tênis indo atrás noticia pessoalmente.

Para mim, a máxima do brilhante jornalista Ricardo Kotscho continua e sempre continuará valendo: “Lugar de repórter é na rua”.

Gay Talese, outro brilhante jornalista, disse em entrevista a Robert Boynton que só utilizava o telefone para marcar suas entrevistas.

De fato, qualquer jornalista ou estudante de jornalismo atento concordará: o bom jornalismo vem da disposição de ir a campo.

Disseram que a reportagem é a maior escola do jornalismo. Vou além e digo que também é uma escola da vida. Observe, caro leitor, que há grandes intelectuais e artistas que passaram pela profissão de repórter.

Nelson Rodrigues, um dos maiores dramaturgos brasileiros, foi repórter policial. Foi dessa experiência que ele tirou inspirações para suas peças.

Rubem Braga, talvez o maior cronista desde Machado de Assis, também teve experiência como repórter: foi correspondente de guerra e acompanhou a Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial.

Se você faz jornalismo e pretende ser um bom articulista, cronista ou editorialista, um bom caminho é ser primeiro um bom repórter.

A experiência na busca pela noticia enriquece intelectualmente. Já dizia o filólogo Othon Garcia que a experiência é a principal fonte de ideias. Os bons colunistas dos grandes jornais hoje foram também bons repórteres no passado.

O jornalismo do século XXI, onde há um imediatismo radical por conta da internet, não pode esquecer-se da importância da reportagem.

É na rua que encontramos personagens e boas histórias para contar. Lugar de repórter é na rua e sempre será. É assim que ele torna-se a “testemunha ocular da história”.

É na rua que vamos saber se a morte chegou cedo, se o instante é o arremedo ou se o amor foi começado. Sim, há bons poetas que passaram pela redação.