O Correio de Futuro, a piscina e eu

Depois de toda uma saga burocrática, de assinar documentos que eu nem sabia que tinha, de idas e vindas ao Comércio, ao Itaigara e ao Iguatemi, o dia 19 de setembro chegou e, com ele, o início das atividades 11ª turma do Correio de Futuro. Não posso dizer que não estava receoso: o programa seria minha primeira experiência fora dos muros da universidade. Esta experiência ter sido oferecida por um jornal grande, de uma empresa tradicional, contribuia para o inevitável frio na minha barriga. Será que eu vou dar conta?, pensava, meio rindo, meio chorando. Os primeiros dias, no entanto, ajudaram a podar meu nervosismo e me deixar simultaneamente (um pouco mais) relaxado e (ainda mais) comprometido com o que está por vir.

Depois de conhecer as instalações da Rede Bahia (pontos altos: realizei o sonho de estar atrás da bancada do Bahia Meio Dia, o maquinário para emissão do sinal digital é espantoso, as redações são uma visão ao mesmo tempo instigante e reconfortante; pontos baixos: o café das máquinas que ficam em cada corredor é bem ruim e o lugar parece um gigante labirinto, o que faz com que eu me pergunte se algum dia eu vou saber exatamente onde ficam as salas), chegou a abertura do programa, na quarta-feira. Pouco depois das 15h, com todos reunidos, Linda Bezerra, a editora-chefe do Correio* e o nome à frente do Correio de Futuro, entrou no auditório e imediatamente começou a apresentar o jornal, fazendo extensos comentários sobre os desafios do jornalismo diário.

Em "Jejum de Amor" ("His Girl Friday", 1940), Hildy Johnson tenta convencer a todos de que quer sair do jornalismo. Na vida real, em 2016, eu tento percorrer o caminho contrário.

Em “Jejum de Amor” (His Girl Friday, 1940), Hildy Johnson tenta convencer a todos de que quer sair do jornalismo. Na vida real, em 2016, eu tento percorrer o caminho contrário.

A presença de Linda já é em si um acontecimento: pequena e enérgica, a editora empurra os volumosos cabelos brancos para todas as direções possíveis, gesticula ferozmente, não raramente pontua as primeiras sílabas das palavras com as mãos e desacelerando a fala. Ela nos ofereceu suas impressões do jornal, suas críticas e defesas, com uma franqueza inesperada. Ouvi-la falando do Correio* e do jornalismo me deu de volta aquele medo de falhar ou de não ter o suficiente para ser um bom repórter: ver uma pessoa falando apaixonadamente por quase duas horas sobre um tema no qual você acabou, de forma muito tímida, de entrar é como um menininho se matriculando na aula de natação com um professor que já participou das Olimpíadas. Você fica uns quinze minutos analisando se deve ou não mergulhar de cabeça na piscina.

Depois de tudo, a reunião com os colegas futuros. Já os tinha conhecido antes, mas ter tempo para conversar com eles, trocando ideias sobre tudo o que aconteceu durante a semana, me tornou capaz de enxergá-los com mais profundidade, me identificando com seus interesses, analisando suas percepções. As tardes de sexta-feira parecem ser um respiro informal, algo mais leve e divertido, embora, como todos os dias, desafiador. Discutir o nosso futuro produto (é pra daqui a três meses, mas já sinto a urgência na pele) foi uma parte interessante: entrei na conversa quase cético de que seríamos capaz de trazer um tema instigante, com apelo junto ao público, à mesa, mas naquelas quatro horas de conversa não faltaram ideias criativas e sugestões que fizeram minha cabeça pulsar. Estes primeiros três dias do CdF (já pode usar abreviação?!) deram um gás especial para minha insegura mente, junto com a certeza de que eu já pulei nesta piscina e nem me dei conta direito.