Assim como um velho vaqueiro veste sua armadura de couro para lidar com o gado, me vesti de humildade e coragem para enfrentar o primeiro dia de imersão na redação do CORREIO. Com o romantismo de quem está começando, imaginei que em meu colo cairia a pauta do dia, e que ficaria sob a minha responsabilidade emplacar acapa do jornal. Nessa minha quimera, enfrentaria o deadline, fontes, lead e hierarquização do texto, como um mestre encourado enfrenta as aroeiras, xique-xiques e mandacarus na busca do garrote desgarrado.
Apesar de toda a expectativa, a manhã na redação foi mais tranquila do que eu esperava. Deixando meu devaneio de lado, acompanhei o processo de apuração da repórter Thais Borges na procura de personagens para ilustrar uma reportagem de final de semana para o MAIS, a seção de reportagens de Cidade Política e Economia do Jornal Correio.
Não posso esconder que, durante a apuração, tive vontade de encher as fontes de perguntas e participar ativamente da reportagem. Não quis parecer chato e nem tampouco atrapalhar o trabalho da repórter. Calado, mas atento a todos os detalhes, percebi que um só assunto pode render milhões de histórias e múltiplas possibilidades de interpretações. Enquanto meu dia não chega, guardarei minha bravura e recuarei meu cavalo, observando como um sábio aprendiz deve fazer. Ei, gado, oi, ei, ei…

Inês Calixto e Franco Hoff