Diário do Heitor – 1ª Semana

19/09

Querido diário… já falei que nunca consigo escrever essa expressão? Não sei bem o motivo. Enfim. Não importa, só queria escrever em algum lugar que passei no CORREIO de Futuro e estou muito feliz com isso. Fora que até o processo de seleção foi intenso. Três fases. Não é fácil, amigão. E quando você chega na entrevista, parece que estão dissecando sua alma. Quando saí do processo, tive certeza de que tudo que pudesse ser dito sobre mim foi dito. Foi ao mesmo tempo interessante e assustador. E a todo momento eu pensava, nossa, imagina o que esse povo não consegue arrancar das fontes? Boa pergunta. Devo descobrir. E acho que não vou ficar escrevendo “querido diário” ou  coisas do tipo, não combina muito comigo.

20/09

Não sei como vou me acostumar com um estúdio de televisão aqui do lado. Vou querer visitar, assistir o processo o tempo todo. Afinal, é aqui pertinho. Hoje os futuros fizeram um passeio para conhecer a Rede Bahia e parte de televisão foi definitivamente a minha predileta. Acabei falando um pouco alto que adoraria dormir na sala de operações e aprender a manipular todos aqueles cabos, botões e protocolos, me senti numa nave espacial de filme de ficção dos anos 70, como Star Trek. Sem contar que, assim como em Star Trek, todo mundo parece conviver em harmonia e ter boa vontade o tempo todo e isso muda a atmosfera do lugar (não apenas na sala de operações, em todo canto). Só dizer bom dia e as pessoas sempre te responderem já um motivo para se sentir mais alegre. Gosto disso.

Não é fácil, amigão. E quando você chega na entrevista, parece que estão dissecando sua alma.

26/09

A primeira palestra que vimos foi o Bazar. A primeira coisa que me chamou atenção que “já vi isso antes, mas onde?“E era bem interessante né? Enquanto a palestrante do dia Gabriela Cruz, editora da sessão, ia explicando o caderno, eu ia catando todos as várias edições trazidas por ela para ilustrar o trabalho da seção. Tinham vários ensaios fotográficos de encher os olhos e não era a toa, segundo Gabriela, a equipe tinha conquistado uma fotógrafa só para eles. Por fim, minha mente clareou, e lembrei que conheci o caderno anos atrás, numa matéria sobre lojas de departamento que buscavam referencias nas tendencias da moda internacional para suas novas coleções a preço acessível. Na época tinha achei genial. Se o objetivo dos palestrantes era incutir em nós o interesse por suas editorias e sessões, o Bazar conseguiu minha atenção.

Se já não bastasse a sessão de impressões inesperadas, depois tivemos a palestra sobre o esporte com o repórter Ivan Dias Marques, que nos contou histórias interessantes sobre sua experiência cobrindo as Olimpíadas no Rio de Janeiro, mas essa história fica para outro dia.

27/09

Já comentei que esse lugar (a sede da Rede Bahia, na Federação, onde convivem várias empresas, incluindo o Jornal Correio) parece Hogwarts? Sim, juro que venho pensando nisso desde que cheguei. Ainda não sei quantos prédios são, mas são pelo menos dois, e são tantas escadas! Sobe aqui, desce lá. Não tô sabendo me orientar. Hoje falamos sobre Jornalismo Cultural e a Coluna VIP. Sabia que uma das pessoas que trabalha na coluna VIP (Perla Ribeiro) também faz parte da sessão de Cidades? E eu que achava que dava pra ser escolher uma editoria, se enfurnar naquele cubículo e me super-especializar nele sem nunca olhar para os outros lados. Parece que não. Bons tempos de ingenuidade jornalística, velhos tempos.

[…]temos que pensar no tema, e depois do tema, as pautas, e depois das pautas, se são viáveis

28/09

Olá escadas, nos encontramos de novo! Dessa vez acertei o caminho sem perguntar a ninguém. Passa pelo corredor, desce a escada, passa peça praça, sobe várias escadas, chega na palestra. Hoje foi jornalismo econômico, com o editor, Flavio Oliveira. Ele fez algumas observações bem pertinentes sobre o jornalismo diário e como a gente deve escrever, gostei, foi uma palestra densa. Acho que vou entender melhor as coisas quando passar pela editoria de economia durante a imersão. A segunda palestra foi sobre a logística do jornal. Descobri algo importante: o papel jornal que o Correio usa (e que provavelmente as editoras de mangás – quadrinhos japoneses – usam) é importado de Europa pois não é produzido por aqui, agora sei porquê mangás são tão caros e porquê é tão complicado fazer mudanças nos jornais impressos, até aquelas que vem pra melhorar.

29/09

Sabia que existe toda uma mata atlântica dentro da  sede da Odebrecht em Salvador? Fizemos uma visita. Eles tem uma reserva lá dentro, cheia de bichos, incluindo uma raça de abelhas que não tem ferrão e que produzem um mel delicioso. E nem vou falar da biblioteca de lá, se pudesse, passaria umas boas horas. Talvez eu vá mesmo qualquer dia desses. E, gente, o que foi essa palestra da editora do Jornal (Linda Bezerra)? Que energia! Ela consegue passar uma verdade tão grande nas palavras, me senti numa palestra messiânica, se fosse um descrente no poder do jornalismo, certamente teria me convertido ao mundo da notícia naquele instante.

30/09

Hoje foi dia de discutir com nossas orientadoras, as professoras da FSBA (Bárbara e Maria Ísis). Um dia diferente dos outros, mais tranquilo, sem tanta informação compartilhada por segundo para absorver, como nas palestras (embora as palestras sejam maravilhosas). Foi um bom momento para conhecer os colegas (mais um pouco) e começar a pensar no nosso produto. Pois é, toda turma do CORREIO de Futuro precisa fazer um produto ao final de nosso curso (ta liberado usar essa palavra? Porque me sinto num curso maravilhoso, é isso, né?) que será publicado no Jornal (e que eu vou comprar e guardar numa pasta, é claro, pra mostrar pra todo mundo feito um besta). Mal posso esperar para começar a produzir. Mas primeiro, temos que pensar no tema, e depois do tema, as pautas, e depois das pautas, se são viáveis, e depois… Ah, vocês entenderam!