Acarajé na terra do Tio Sam

Acarajé na terra do Tio Sam

Durante o período de imersão, dei uma sugestão de pauta para a equipe responsável pelo caderno Bazar*, do jornal Correio*. A pauta tinha como objetivo mostrar o perfil do cozinheiro Antônio Carlos Encarnação, 49 anos, mais conhecido como “Carlinhos do Acarajé”, o representante da culinária afro-brasileira nos Estados Unidos da América.

Ao conversar com o sub-editor do Bazar* Ronney Argolo e o jornalista Victor Villarpando, eles perceberam que eu estava bastante interessado em fazer essa matéria e me deram a oportunidade de fazer essa entrevista.

Inicialmente, por ter familiares que têm amizade com Carlinhos, procurei o seu contato. Mas, ao ter o número de telefone dele em mãos, encontrei uma dificuldade: o alto custo de uma ligação para os Estados Unidos. Logo busquei saber com meus parentes se havia uma outra maneira de conversarmos. Eles me disseram que existia apenas uma alternativa para construir esse perfil, o cozinheiro teria que me procurar.

Na quarta-feira (15), estava almoçando em minha casa quando o telefone tocou e ao atender a ligação percebo que é um telefonema internacional. No outro lado da linha, um simpático cozinheiro diz que uma pessoa queria fazer uma entrevista com ele. Então disse que eu seria o seu entrevistador. No primeiro contato que tivemos, passei 1h37min com os ouvidos atentos no aparelho telefônico para não deixar escapar nenhuma informação sobre a sua história. E descobri que ali havia um relato de vida muito interessante.

Um homem que, aos 14 anos, começou a trabalhar como vendedor em uma bomboniere e também passou por várias experiências profissionais em Salvador e no Rio de Janeiro. Aos 30 anos, saiu do Brasil e foi para os Estados Unidos em uma “missão religiosa”. E, por ter habilidade na cozinha, principalmente com a culinária baiana, se destacou e é sucesso de vendas na América do Norte.

Para apurar mais sobre a sua história, pedi a Carlinhos que no próximo dia, nesse caso quinta-feira, ligasse para a redação do jornal Correio*.Ele, muito solicito, me telefonou novamente e dialogamos por aproximadamente 2h. O baiano, nascido no bairro do Garcia, em Salvador, declarou também que é dono de um food truck no EUA. Ele vende abará, acarajé, carurú, vatapá e outros pratos da culinária da Bahia. E sobre a adaptação dos americanos em relação a uma comida de cultura diferente diz que não enfrenta dificuldade em vender seus produtos em um outro país.

A matéria sobre Carlinhos do Acarajé será publicada no caderno Bazar* no dia 29 de novembro.