Jornalismo, Crime e Castigo

Jornalismo, Crime e Castigo

Capa do Livro Crime e Castigo, de Dostoiévski

Capa do Livro Crime e Castigo, de Dostoiévski

 

O título que faz referência a uma das obras mais brilhantes do romancista Fiódor Dostoiévski não é por acaso. Resta-nos pouco menos de uma semana para iniciarmos a tarefa que certamente será a mais trabalhosa de todas já feitas neste programa: a de por em prática tudo que nos foi ensinado e observado. Entre as múltiplas possibilidades a respeito do que falar, interessámo-nos em saber como acontece a vida quando ela está no lado oposto do que é liberdade. É aí onde nos encontramos com Dostoiévski.

Em sua obra publicada em 1866, o romancista escreve sobre um jovem chamado Rodion Românovitch Raskólnikov, que vive preso a angústias psicológicas após ter cometido um crime. Dele, interessa-nos a história de privação da liberdade. Não apenas a liberdade imaginária descrita por Dostoiévski, mas também a física, com muros, grades e cadeados. Como é estar no mundo onde as coisas acontecem e não é possível delas participar?

Crime e Castigo é um título que vem a calhar com aquilo que nos propomos a fazer: cotar histórias de cárcere. Nesse caso, cada uma com o seu crime, mas todas com o mesmo castigo. A pura privação da liberdade é o melhor caminho para uma posterior recondução ao convívio social? Essa é uma pergunta que só os relatos daquelas histórias poderão nos responder – ou não.

No Clássico, a vida de Raskólnikov vai sendo narrada até passar pela confissão, condenação e perdão do seu crime. Mas, e aqui, no mundo das coisas, quem é capaz de dar o perdão e a liberdade? A religião? a punição? No livro, essa é uma realidade. Aqui, uma possibilidade que se faz limitada.

O interesse pela questão surge no momento em que discussões sobre a privação do convívio social e da liberdade para aqueles que cometeram delitos estão em voga. Mas, também foi um interesse que surgiu da curiosidade jornalística de saber como acontece a vida quando a liberdade de ir e vir se faz ausente.

Teremos grandes desafios nos próximos dias. Até aqui, o maior deles foi decidir entre as múltiplas possibilidades de um gênero musical e as histórias nascidas no cárcere. Escolhemos falar sobre crimes e seus castigos.