Toda a redação entrou em ação no domingo por conta das eleições. Eu recebi a missão de acompanhar Jorge Gauthier, que ficou responsável por cobrir Paulo Souto. Seguimos para o comitê do candidato que liderou quase todas as pesquisas- exceto a última antes da eleição, em que ficou empatado com Rui Costa .
O resultado da eleição era uma incógnita para mim, que não entendo nada de política, mas antes do fim da apuração, e até mesmo da votação, já tinha o palpite de que iria acompanhar a cobertura da derrota. O clima no comitê do candidato democrata era de que esqueceram de avisar pra todo mundo que não ia mais ter festa. Clima de que só os desavisados apareceram. Clima de domingo, já que o programa da Eliana era a atração da única TV presente na sala destinada à imprensa.
Desde o início da apuração, o candidato do PT saiu na frente sem olhar pra trás. No comitê, quase todos pareciam resignados com o resultado. Uma mulher loura, de salto alto, bolsa da osklen e adesivo do DEM colado à camisa social, falava ao telefone e dizia já esperar pela derrota por não ter sentido “aquela” vibração positiva durante a campanha.
O pessoal do partido ia embora, enquanto repórteres chegavam querendo ouvir alguma declaração dos candidatos vencidos. A assessora de Gedel Vieira Lima já tinha dado o recado de que ele não apareceria. Mas Paulo Souto havia confirmado presença. Restava esperar.
Como é chato esperar. Alguns jornalistas mais engraçadinhos faziam piada, ou puxavam alguma resenha pra passar o tempo. Estávamos reunidos do lado de fora, enquanto simpatizantes do PT gritavam de carros que passavam pela Av. ACM, em frente ao comitê.
Quando Paulo Souto chegou, entrou na sala onde antes passava Eliana e falou com os repórteres, que se aglomeraram ao seu redor. A coletiva durou cerca de 20 minutos. Esperamos quase cinco horas por ela.