Ofícios do jornalista

Ofícios do jornalista

Nessa semana, passei pela experiência do meu primeiro plantão. As expectativas estavam altas e, apesar do ritmo lento – era um domingo “fraco” -, não me decepcionei. Fomos eu e Joice em busca da repercussão dos protestos contra os assaltos em Stella Maris e pudemos usar, pela primeira vez, os conhecimentos que adquirimos com os repórteres ao longo dos dias. A pauta já não repercutiu muito, infelizmente, mas a cobertura fez valer a experiência. A única coisa que não é tão legal é a sensação pós-plantão de que a semana teve duas segundas-feiras.

Além disso, tive a chance de incorporar duas atitudes, algumas vezes desempenhadas por jornalistas.

a) Jornalista tem que ser cara de pau. Você pode trocar a expressão por “ousado” se preferir, mas a premissa, no sentido coloquial mesmo, continua igual. Não dá pra ter vergonha de se aproximar de alguém. Não dá pra hesitar perguntar algo por pré-julgar impróprio. Se a fonte não quiser responder tudo bem, mas seu papel – meu, nosso – é perguntar.

b) Jornalista às vezes precisa ser inconveniente. Se aproxima da primeira questão, mas são coisas distintas. Estou falando daquele momento em que você liga insistentemente pra um contato, que te direciona pra outro e esse pra outro e esse pra outro e esse pra o primeiro. Esse primeiro está tentando te enrolar, está de saco cheio de ouvir sua voz chata – pessoalmente eu não fui agraciada com uma voz de locutora de rádio – e o que você faz? “Liga de novo”. Ou imagine um fim de tarde de domingo e você batendo de porta em porta até encontrar uma fonte. Simples, hein? Acrescente aí seu melhor sorriso de “ajude uma repórter” e está tudo bem.

De quebra, é bom ser paciente e não se desesperar com as constantes apurações impossíveis. Se ao final de uma tarde de trabalho, você conseguir completar aquela notinha policial de três parágrafos que estava emperrada desde o início da manhã, a notícia está salva. Seu dia também.