O lugar de repórter é ainda na rua?

O lugar de repórter é ainda na rua?

Para escrever o texto de hoje, tomei como base a frase “lugar de repórter é na rua”, do jornalista Ricardo Kotscho. Nessa segunda semana do periodo de imersão, pude perceber que existem várias semelhanças e diferenças no processo de apuração das matérias nos veículos impressos e online.

Na primeira semana, tive oportunidade de estar acompanhando pautas pelas ruas de Salvador com os repórteres do Jornal Correio*. Na segunda-feira, 15, fui junto com o jornalista Bruno Wendel, editoria de cidade, apurar a notícia do jovem de 10 anos que havia sido atropelado na Avenida Paralela. Para saber mais sobre essa história, tivemos que circular por vários bairros da Cidade.

Inicialmente, fomos no Hospital Geral do Estado (HGE), na Avenida Vasco da Gama, e no Hospital Geral Roberto Santos, no bairro do Saboeiro, porém não encontramos informações. Como se sabia que o garoto era morador do Bairro da Paz, nos deslocamos até o local onde ele residia com seus familiares, e através destes, descobrimos que os pais da crianças estavam no Instituto Médico Legal (IML), na Avenida Centenário. Ao chegar no IML, perbemos que o clima de comoção era muito forte. O pai e a madrasta do jovem estavam bastante emocionados com o ocorrido, mas mesmo assim conseguimos os dados suficientes para a matéria ser feita.

Na terça-feira, 16, pela manhã, me desloquei até a Praça da Piedade com a repórter fotográfica Marina Silva para fazer imagens do aposentado Djalma Marques, 76 anos, que tinha dividas financeiras com empresas de empréstimo de dinheiro, porém não conseguimos o fotografar, já que o aposentado não compareceu no horário agendado. O aguardamos por mais de 1h, nesse período uma forte chuva começou a cair na região, mas por sorte conseguimos nos proteger, principalmente pelo fato da máquina fotográfica ser de alto custo. Mais tarde, outro fotografo foi até o local, em um novo horário, e conseguiu fazer as imagens.

O aposentado Djalma Marques, 76 anos, mostra os boletos bancários das financeiras (Foto: Betto Jr)

O aposentado Djalma Marques, 76 anos, mostra os boletos com dívidas (Foto: Betto Jr)

A tarde na redação, acompanhei a jornalista Thaís Borges, também da editoria de cidade, na produção da pauta sobre treineiros, jovens que estudam entre o primeiro e segundo ano do Ensino Médio, e que pela primeira vez vão fazer a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

No dia seguinte, com a colega de Correio de Futuro Camila Costa, assistimos o jornalista Victor Villarpando e a fotógrafa Angeluci Figueiredo, do caderno Bazar, produzirem a matéria sobre Food Truck, categoria de lanchonete ou restaurante sobre rodas, também circulamos por Salvador. Primeiramente, fomos no bairro do Garcia entrevistar o proprietário do Franghetto, um trailer que vende frango assado. Logo após, na Avenida Paralela, conversamos com o dono Temaki Road, um restaurante móvel de comida japonesa.

O restaurante móvel Temaki Road. Localizado na Av. Paralela (Foto: Angeluci Figueiredo)

O restaurante móvel Temaki Road. Localizado na Av. Paralela (Foto: Angeluci Figueiredo)

Na quinta-feira, 18, acompanhei a repórter esportiva Daniela Leone na pauta que tinha como objetivo mostrar a venda de bilhetes para o clássico Ba-Vi nos principais balcões de ingressos. E também acompanhei o jornalista Donaldson Gomes, editoria de Economia, na reportagem que abordava os problemas enfrentados na gestão de algumas instituições de saúde na cidade.

Nessa semana, atuando com a equipe responsável pelo site Correio24Horas, pude verificar que o “foca”, o jornalista iniciante, tem que se desdobrar de várias maneiras para conseguir as informações. E, ao contrário do jornal, o repórter do site tem que apurar as matérias pelo telefone. A rotina começa logo cedo, fazendo a “ronda”, observando as principais matérias divulgadas pelos blog e sites da capital e do interior da Bahia. Logo após essa busca, são realizadas ligações para a Polícia Rodoviária Federal, Polícia Rodoviária Estadual, Superintendência de Trânsito e Transporte de Salvador, para que todas as informações sejam apuradas de modo em que a notícia seja dada de maneira correta. Um fator que deve ser destacado é o tempo, porque na internet o repórter tem de checar a matéria o mais rápido e o melhor possível.

Aprendi também que outras ferramentas, a exemplo do e-mail, redes socias, facebook, whatts app, também se transformam em ferramentas fundamentais no processo de apuração.