Toda sexta-feira saímos da redação e voltamos à sala de aula. Neste momento, conversamos com as professoras Bárbara e Maria Ísis sobre a semana, nossas atividades na redação e o que achamos da experiência. Sexta-feira também é dia de discutir nosso produto final, mas aí é papo para outra conversa.
Tivemos um momento para falar sobre as diferenças e similaridades que encontramos entre o que é dito na faculdade e a realidade do mercado. O colega Diogo Costa notou algo interessante: jornalista não vai à rua todo dia, ao contrário do que sugerem os manuais de jornalismo.
Lembrei da dificuldade em obter informações quando é o caso de a apuração ser por telefone. Esse obstáculo surgiu duas vezes na última semana.
A primeira foi no Hospital Geral do Estado, quando liguei para saber informações a respeito de um rapaz que foi baleado na Baixa dos Sapateiros. A atendente do posto policial do hospital me disse que só poderia dar informações pessoalmente, não por telefone.
Situação semelhante aconteceu numa outra ocasião, numa delegacia. Dessa vez, tive uma justificativa, mas a achei um tanto forte de ser ouvida.
Ao ligar para confirmar a passagem de algumas pessoas por lá, tive meu pedido negado porque as informações só são passadas pessoalmente. O responsável precisava saber se eu era mesmo Estela, do Jornal Correio; se não era a chefe de alguma facção criminosa etc.
No segundo imediato ao fim da ligação, fiquei ofendida. Depois entendi o risco. Não tenho a menor voz de chefe de algum grupo criminoso, inclusive, já ouvi que minha voz é ótima para ninar. Mas num meio como o policial, quem vai acreditar no que sugere uma voz?
Sim, o jeito é ir à rua.