“Parabéns, Kaiser da moda”. Essa foi uma das primeiras publicações que vi na minha timeline pela manhã. A felicitação a Karl Lagerfeld- diretor criativo da Chanel que completou hoje 81 anos- me lembrou as conversas que teríamos mais tarde com Telma Alvarenga e Herbem Gramacho, editores do Correio*.
Telma é responsável pela coluna social do jornal, por isso, antes do encontro de hoje, imaginei que seu trabalho consistisse em estar por dentro de muitas fofocas, do burburinho e do glamour da alta sociedade baiana. Ou seja, um mundo Lagerfeld, ainda que em proporções super diferentes.
Talvez ela esteja por dentro de tudo isso, mas também está distante de lidar só com isso. Telma destacou uma mudança no colunismo social a partir dos anos 70, quando os temas se diversificaram e se aproximaram da cultura e da política, pautando, inclusive, outras editorias.
Para Telma, que passou pelas redações da Veja, de O Globo e do Jornal do Brasil, uma boa apuração é imprescindível para a consolidação da credibilidade de uma coluna. “Muitas fontes têm interesse de que sua informação seja publicada. Por isso, é importante checar se o fato corresponde ao que foi dito”.
Na segunda parte da tarde, conhecemos Herbem Gramacho e conversamos sobre o segundo motivo que me levou a relacionar Karl Lagerfeld às palestras do dia: o caderno de esportes. Karl, que é cheio de declarações polêmicas, já disse julgar desnecessárias tantas páginas dedicadas a esportes nos jornais.
Eu não compartilho da opinião do estilista, mas na prática, tirando época de Copa do Mundo, minha afinidade com a editoria de esportes inexiste. O que é uma pena, porque deu pra sacar que é uma área bem prazerosa pra quem curte. “É resenha pura, mas muito trabalho também”, resumiu Herbem.
O editor ainda esclareceu sobre a predominância do futebol no caderno, para além do interesse do leitor. De acordo com Herbem, o destaque dado ao futebol pela mídia concentra os patrocinadores, garantindo a permanência e prevalência da cobertura. É um ciclo vicioso que prejudica outros esportes.
A impressão que ficou é de que, por ser uma paixão tão grande, o futebol oprime.