Desmitificando editorias

Desmitificando editorias

“O jornalista tem que levar o seu leitor a um outro lugar”.

A frase acima, dita por Jairo Costa Júnior, editor de política do jornal Correio*, marcou a tarde desta quinta (04), segundo dia de palestras para os estudantes do Correio de Futuro. Além de Jairo, tivemos a palestra de Flávio Oliveira, editor de economia.

Alguns acham que o texto de política tem um estilo sisudo, Jairo discorda. Muitos acham que o texto de economia é um “bicho estranho”, Flávio tenta desmitificar essa ideia. Com o desafio diário de seduzir o leitor, os dois trabalham para tornar suas matérias não apenas importantes, mas interessantes.

Jairo conta que a história do jornalismo político está intimamente ligada à história do jornalismo propriamente dito, já que este surgiu com o intuito de tornar público o que acontecia dentro da política. Mas para ele, é a partir do momento em que o jornalismo se funde com a investigação que o gênero ganha força.

Mais que desconfiar, o repórter deve buscar o não-dito, o que está por trás das evidências. Isso é comum a todos os gêneros da profissão, mas têm ainda maior relevância no que tange à política, além de que a investigação colabora para gerar maior interesse.

Flávio é objetivo e simplifica: “Economia não é só inflação nem dólar (…) é produção, então tudo que se refere a isso é de interesse”. Até parece simples quando ele fala dessa forma, mas é preciso muito estudo, prática e criatividade também para pautar o custo de produção de um hit de sucesso como o Lepo Lepo, como ele já fez. Fica claro que a inovação é essencial ao trabalho, mas pelo visto, o desafio é ainda maior para algumas áreas.

Nesses quatro dias, já perdi as contas de quantas vezes, ouvimos que o jornalista é um “contador de histórias”. Sendo assim, o repórter que tem nas mãos pautas de política e economia têm a missão de narrar os fatos, mas também “as entrelinhas e o pano de fundo” (Welter Arduini). O estudo e prática permanecem indispensáveis.