A beleza do mar ainda é a coisa que mais chama à atenção dos visitantes. O cenário, de cartão postal, é também composto pelo farol, o Forte de São Diogo e a Praia do Porto. Mas basta inverter a direção do olhar para perceber que agora outros elementos menos atraentes, como britadeiras, ferragens e máquinas passaram a compor a paisagem da orla da Barra. Nada discretos, os novos integrantes não causam estranheza aos transeuntes. As pessoas sabem que as presenças deles ali, é sinal que uma mudança está em curso.
A reforma da orla da Barra começou há quase seis meses. Orçada em R$ 57.705.106,000, a obra está sendo executada pela Odebrecht. Na última quinta-feira (03), nós, os Futuros, fomos conhecer o que está sendo construído e o que já foi feito, saber quem são as pessoas que projetaram a reforma e quem a executa.
No local, cerca de 600 homens, entre eles engenheiros, operários e assessores, trabalham durante todo o dia para concluir o projeto até meados de junho. Um deles é seu Enedino Rodrigues, também conhecido com Tim Maia. Tim, que não canta, mas fisicamente parece muito com o artista carioca, trabalha na área de serviços gerais e se diz orgulhoso de contribuir para tornar a orla da capital baiana ainda mais bela. “Nós gostamos de trabalhar aqui, somos uma família. As pessoas reclamam do engarrafamento e do barulho, mas eu explico que a melhoria vai chegar em dobro”, afirma.
Um dos engenheiros que assinam o projeto é Augusto Lima. Para ele, participar da reforma da orla, é motivo de muita alegria. “Esta obra é como um filho. Nós passamos muito tempo aqui, às vezes, ficamos mais aqui que em casa. Vivemos isso 24 horas”. Já o engenheiro Igor Dantas destacou os problemas de fazer uma obra no meio da cidade. “É muito difícil trabalhar em um local aberto. A gente tem que conciliar o andamento das coisas com o funcionamento do bairro. Às vezes é engraçado também, pois parece que todo mundo é um pouco engenheiro, todos querem dar suas opiniões”, ressalta.
Para tentar diminuir os impactos causados na rotina dos moradores locais e aproximá-los do projeto, a Odebrecht desenvolveu alguns eventos como uma exposição sobre a obra de Mário Cravo, A Celebração das Cores do Farol (em que as pessoas foram convidadas a pitar os tapumes), o Dia do Sorriso Saudável (as crianças tiveram atendimento odontológico de graça) e o concurso de desenhos “Nossa arte na Barra”. Além disso, também foi criado um centro de informações em que as pessoas podem adquirir dados, como, por exemplo, mudanças feitas no trânsito e fazer críticas e sugestões. O jornalista Jean Calhau destacou que todas estas ações fazem parte da preocupação sociocultural da empresa.
Jean também destacou a dificuldade de fazer uma obra urbana. Sobre a foto que mostrava o piso tátil seguindo em direção à parede ele explicou, “a primeira coisa foi admitir que erramos. Depois fizermos os ajustes necessários, com rapidez”.
Percorremos toda a extensão da obra e saímos de lá como uma outra visão do projeto. Foi bem legal perceber que além dos engarrafamentos, buracos, barulho, tem muita gente que trabalha intensamente para deixar a orla de Salvador ainda mais bonita.