As pautas caíram

As pautas caíram

Marina Silva/CORREIO

Marina Silva/CORREIO

Cheguei na redação do CORREIO bem cedinho na quinta-feira (30/11), estava bastante animada, era dia de imersão em fotografia. Fui orientada a procurar Sora Maia, aguardei ela chegar e se organizar,  me apresentei e contei que era do Correio de Futuro. Logo tudo estava definido, a minha imersão seria com Marina Silva, fotógrafa que admiro muito e que já deu umas capas muito bacanas ao jornal. Não esqueço da foto de uma baiana dando a bênção com água de cheiro a uma freira na famosa Lavagem do Senhor do Bonfim, acho que em 2014.

Por volta das 10h saímos (Eu e Marina Silva) da redação com duas pautas para cobrir: a primeira uma horta em área aberta na Pituba. De acordo com Sora, a horta era da responsabilidade de um senhor e ficava aberta ao público. Seguimos então em busca da tal horta, mas adivinha? Estava fechada. Foi cercada e ainda colocaram um cadeado no portão, e o senhorzinho? Ele não estava. Nossa primeira pauta caiu.

Nossa segunda pauta era uma proposta inusitada. A editoria de fotografia queria propor uma matéria para o jornal, mas para isso precisavam juntar cinco fotos de vendedores andarilhos, aqueles que não têm ponto fixo. Já existem quatro fotos, precisávamos da quinta, e nós fomos em busca dela. O fato é que não podia ser qualquer tipo de venda, não podia ser, por exemplo, um vendedor de picolé, tinha que ser algo diferente, para nosso desespero (brincadeira). Então entramos no carro novamente e saímos rodando pela cidade. “Marina, olha aquele vendedor ali”, apontei. Paramos o carro na Vasco da Gama e lá parecia estar o nosso personagem. Um vendedor andarilho de cestos artesanais. Ainda lembro da camisa vermelha, dos cestos pendurados nos ombros, da bermuda preta e sandália havaianas batida em um pé castigado. Marina se adiantou, apresentou e falou  sobre a proposta. Estávamos animadas até ouvir a resposta. “A minha igreja não permite sair em jornais”, explicou o andarilho sem nem se identificar. Nem nos deu mais informações ou estendeu o assunto. Caiu nossa segunda pauta.

Voltamos para o carro e o telefone da fotógrafa do CORREIO tocou, era Sora – rompeu uma adutora na Av. Contorno -, obaaa! Nem tudo estava perdido, pensei. Surge nossa terceira pauta.  Lá vamos nós rumo à Contorno, mas acreditem, rodamos tudo e nenhuma adutora, nem um vazamentinho, nada! Caiu nossa terceira pauta.

Frustradas, voltamos para redação. Porém, como tudo na vida é aprendizado, no jornalismo não seria diferente, há dias em que as pautas só caem. Valeu a conversa no carro, as dicas de fotografia, de câmeras, lentes e ângulos, sem falar na boa companhia. Que venha a próxima imersão em fotografia.