A arte de esperar o entrevistado

A arte de esperar o entrevistado

Esperar, principalmente para quem não tem muita paciência é extremamente desconfortável.  E quando você é aspirante ou jornalista, e está à espera de um personagem para sua matéria, cada minuto que se passa no relógio se torna uma eternidade. Jornalismo é sinônimo de imediatismo e agilidade, esperar não é nosso forte.

Nós, que trabalhamos em uma redação, sabemos que nossa dead line é extremamente cruel e que nos obriga a sermos pontuais, querendo ou não. Quando saímos da redação com uma pauta e com os personagens marcados nos seus horários e lugares, partimos felizes e contentes acreditando que só nos resta sentar, ouvir, voltar para a redação e escrever a matéria. Mas é aí que você broxa quando sua fonte atrasa ou não aparece, ou pior, quando ela simplesmente deixa o celular desligado, te deixando em uma das maiores aflições do século. Logo depois, horas na verdade, sua fonte surge com as piores desculpas, quando a mãe não morre, o celular desliga ou seu filho resolveu nascer naquele exato momento. E, claro, compreendemos, pois somos os profissionais mais racionais que existem e interesseiros, obviamente. Logo depois marcaremos de imediato outra entrevista quando sabemos que personagem igual não há.

Não acredite que esse relato está sendo escrito aleatoriamente. Senti na pele. Recentemente entrevistei uma pessoa bem conhecida*. A conversa foi ótima e percebi que o conteúdo iria render. Precisei marcar uma segunda entrevista para refinar e tornar o texto mais real, já que teríamos mais de uma conversa. Foi quando o cidadão me fez esperar mais de uma hora no local marcado e simplesmente desligou o celular. Acredito que não exista aflição maior que essa no mundo dos estagiários, principalmente quando é algo que deve ser publicado de imediato e o repórter já se envolveu o suficiente com a história de vida da pessoa para deixar a pauta cair. Mas aí você imagina que perdemos todo nosso controle, começamos a xingar toda a árvore genealógica da pessoa e esbraveja dizendo que irá difamá-lo na redação quando voltar. Sim, é exatamente isso que acontece. Mas logo recuperamos nosso bom senso e percebemos que devemos manter o profissionalismo e simplesmente tentar inúmeras vezes até ele atender ou esperar a boa vontade para que um dia ele retorne a ligação pedindo desculpas e se permitindo para uma nova entrevista. E acredite que mesmo depois de tudo isso, nós, com um belo sorriso no rosto e amor no coração, marcamos um novo encontro.

Depois de uma experiência como essa, percebo que os jornalistas são escravos de sua fonte. Sim. Pois sem eles nossa matéria não se tornaria humana. E “ser humano” é uma grande qualidade do texto jornalístico. Mas deixo aqui minha colaboração final: Fontes que tanto cobiçamos, que no meio de vários foi o escolhido para ser entrevistado, não se atrasem, não furem, muito menos desliguem os telefones celulares. O coração e o bom humor do jornalista agradecem.

 

*por questões éticas e achar que sou muito nova para responder processo, não divulgarei o nome.