Estou começando a achar que a editoria de economia não tem um dialeto próprio. As pessoas é que complicam ela, ou não encontraram a melhor forma de falar o que aquele monte de números influenciam às nossas vidas. Não é uma tarefa fácil, mas não é impossível. Você só precisa começar a reparar o que as pessoas necessitam saber. O que de fato é importante para o leitor em qualquer assunto.
Fui para o Feirão do Nome Limpo com o repórter Flávio Oliveira, colunista do caderno de Economia do Correio. Apesar de falar baixo (juro, eu considero isso um dom) e parecer tímido por ter uma foca* por perto, fui muito bem recebida pelo representante da editoria. Comecei a puxar assunto e aos poucos, ele foi falando o que já fez da vida e da sua experiência em outros jornais com o sinal de que os cabelos brancos já denunciam o que ele mesmo falou: “já fiz um pouco de tudo no jornalismo”.
Flávio me passou três, dos sete nomes de personagens que foram fotografados logo pela manhã. Ele ficou responsável por fazer o primeiro dia do feirão para o impresso. Liguei para três pessoas com idades distintas e dívidas diferentes também. Duas delas, não conseguiram limpar o nome ou resolver suas contas a pagar. As duas mal resolvidas chegaram ao feirão por volta das 6h da manhã e voltaram para casa com o mesmo problema, porque não tinham a preciosa informação de quais empresas estavam presentes no local para negociar. Eram apenas oito!
Para você entender, após as ligações fui com o Flávio no Centro de Convenções e fiquei chocada pela quantidade de empresas para o tamanho do lugar. Apenas oito empresas, como já disse, estavam no local. E durante todo o dia, li matérias em portais de notícias, jornais e não vi ninguém listando o que o leitor podia encontrar. Me senti na obrigação de sinalizar isso para o Flávio, que era preciso demonstrar quais companhias estão no feirão, para o leitor que pega seu jornal logo cedo, saber que a sua dívida pode, ou não, ser resolvida. Uma ilustração foi sugerida para chamar atenção do leitor para esse detalhe, o que fará toda a diferença em relação às notícias publicadas sobre o assunto hoje: a preocupação com o leitor.
Às vezes, nos preocupamos com a quantidade de números que o assunto representa, ou sobre os valores da dívida, taxas de juros para negociação e uma informação tão simples, que pode mudar a rotina de uma pessoa e se esquece de publicar. Ou, para o jornalista, não era tão importante assim. Está faltando jornalistas-leitores, para informar e descomplicar mais a vida das pessoas.
P.s.: Foi só para ilustrar o assunto, mas em nível de informação para sua tia, avó e madrinha que estejam interessadas em saber quais as empresas funcionam no feirão, são essas: Gbarbosa, Avon, Esplanada,Caixa Econômica, Banco Pan,Embasa,Leader e Casas Bahia.
*Foca: iniciante nas redações dos jornais.