Quarta-feira, 30 de outubro, 8 da manhã. Chego na redação empolgada e ansiosa para saber a última editoria da minha passada pelo impresso durante a imersão. Eis que Linda¹, antes mesmo de um bom dia, diz que tinha uma missão para mim. “Preciso que você arranje um casal homossexual que tenha adotado uma criança e uma avó que tenha total responsabilidade pelo neto. A intenção é fazermos uma matéria sobre a retirada das comemorações do dia dos pais e mães e a inclusão do Dia da Família, criada por algumas escolas da cidade, pelo grande número de famílias alternativas. Depois quero que você acompanhe o repórter que vai cobrir a coletiva de imprensa para o lançamento da Bienal 2013”, disse. Acho que ela estava adivinhando minha animação para o dia.
Comecei minha caçada pelas redes sociais e encontrei amigos que conheciam outros amigos que conheciam pessoas que se encaixavam no perfil para a matéria. Depois de ligações, cancelamento de alguns personagens e rezas para Deus me ajudar, as fontes já tinham sido encaminhadas para a tal reportagem². Que por sinal ficou ótima. Pronto, primeira fase guiada para a repórter preencher a matéria. Antes mesmo de recuperar fôlego, o repórter da editoria de cultura Roberto Midlej, chega e já me chama para acompanharmos a coletiva de lançamento para a XI Bienal do Livro Bahia que estava para acontecer na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, nos Barris. Eu, adepta ferrenha de livros, não poderia terminar a imersão no impresso com pauta melhor.
Participar de uma reportagem que tenha uma relação positiva com o repórter, é a junção perfeita de uma boa profissão com uma ótima pauta que no final resulta numa matéria prazerosa de se escrever. A paixão pela leitura e participar da coletiva da bienal do livro no último dia da imersão no impresso, teve uma importância maravilhosa. Tudo flui melhor e mais leve, mesmo que ao seu redor tudo esteja “pegando fogo”, as pautas são trabalhadas com mais amor, mesmo você estando no limite da fome, sede ou paciência, alguma força superior te emana tranqüilidade e você esquece qualquer estresse.
Meio dia e 30 minutos da mesma quarta-feira. Desliguei o computador e já estava pronta para sair da redação. Passei os últimos recados do dia para Linda e quando pensei que as experiências do impresso tinham acabado, eis que ela surge com uma frase formidável, “Caso queira vir para a redação nos finais de semana ou qualquer outro dia que você não esteja tão atarefada para nos acompanhar, sinta-se à vontade”, disse. E o sorriso da criança aqui veio de ponta a ponta, balançando a cabeça com um sinal positivo.
¹ Linda Bezerra: Editora de Produção do jornal Correio
² Link da matéria extraída do jornal Correio: http://www.correio24horas.com.br/noticias/detalhes/detalhes-1/artigo/escolas-mudam-tradicao-e-criam-dia-da-familia-para-evitar-exclusao/