Estou na minha terceira semana de imersão, portanto, hoje me considero apta para falar com tranquilidade sobre esta nova experiência. Nova sim, porque para a minha surpresa, meu encontro com o computador só aconteceu algumas semanas após o início do programa Correio de Futuro. Confesso que isso mexeu comigo no início, já que quando você pensa em começar um novo estágio – ainda mais sendo ele diferente de tudo que você já viveu anteriormente – você já chega pensando em “mostrar serviço” … Mas, antes de ‘colocar a mão na massa’, fomos apresentados à dinâmica de todas as editorias do jornal, como foi devidamente registrado por mim e pelos coleguinhas em postagens anteriores.
Com foi dito pelo estagiário Daniel Silveira, quando batemos um papo com os ex participantes do projeto que foram efetivados pelo jornal, começar a imersão no Correio24horas ( a parte online do jornal CORREIO), dá um norte para ir para a redação do impresso. E, agora que eu já tive experiência com ambas, concordo em gênero número e grau. Pelo menos pra mim, que tenho um histórico em editorias mais amenas que “cidades”, onde você lida com o factual, a redação online foi um choque de realidade que me fez despertar para o real sentido do ” eu sou uma jornalista”. Foi como se uma voz interior falasse pra mim: ” acabou a brincadeira, agora você vai aprender o que é jornalismo de verdade”.
No meu primeiro dia, minha primeira tarefa foi fazer a ronda. Fui apresentada aos telefones mais comuns num ambiente como este; postos policiais dos hospitais públicos, polícias rodoviária (federal e estadual) e Transalvador – o objetivo é buscar notícias factuais tais como acidentes, manifestações, mortes, tentativas de homicídio e afins. Nunca pensei que diria isso na minha vida, mas fiquei tão feliz que consegui apurar uma tentativa de homicídio. Dois homens, vizinhos de bairro, brigaram “por qualquer coisa” e um resolveu golpear o outros com arma branca (não vou contar detalhes, fiquem de olho no www.correio24horas.com.br). Não me levem à mal, sei que a situação não é lá muito animadora, a euforia é coisa de principiante no “jornalismo verdade”. No final das contas, é isso que a Bahia quer saber; o que esta acontecendo na nossa cidade? Apesar disso, a felicidade fica só na hora que você ver a notícia no ar, quando eu fui pra casa, fiquei matutando o quanto a cidade esta violenta e as relações banalizadas. Sou jornalista, preciso estar preparada para esse tipo de notícia, mas nessa hora meu lado humano falou mais alto.
Pronto, superei. A verdade é que a nossa profissão requer feeling, disposição, atitude e uma dose generosa de sangue frio. Agora, passado o susto do contato inicial com a redação online, as coisas já começam a se acalmar e a rapidez da apuração se torna tão inerente, que é quase automático chegar, pegar o telefone e começar a buscar o que esta acontecendo. Vale deixar registrado que acontece de a apuração seguir por um outro curso que não apenas o factual – nem só de página policial vive um jornal. Mas, quer saber? Esse “intensivão” mais que necessário, te prepara para a profissão. Você pensa assim: ” se eu dei conta disso, eu dou conta do que vier”. Seja lá o que for que a Bahia – ou o mundo – estejam interessados em saber.