Ontem, 21 de outubro, fez oito dias que eu comecei a imersão na redação do jornal CORREIO. Não foi diferente para os meus colegas, divididos entre impresso e online*. Foi bem empolgante trabalhar no correio24horas. Simulei o que seria atuar ali na condição de repórter e aproveitei para refletir o que é a notícia. Ainda não me ocorreu uma definição.
Tento responder a mim mesmo, mas não há muita clareza. Acho que é pelo fato de ainda estar engatinhando na profissão. Naturalmente, compreendo quais caracteres devem nortear a produção noticiosa. Afinal, cursei Teorias do Jornalismo, e com a experiência que adquiri, posso presumir que a essência do fazer jornalístico envolve a compreensão do que é a ‘‘prática noticiosa”.
Percebo, inclusive, que nem tudo que está no jornal é notícia. Não estou sendo óbvio, pois não me refiro à publicidade, por exemplo. Muitos textos se mimetizam de Jornalismo. Sem ingenuidade, tampouco hipocrisia; a busca por audiência afasta o Jornalismo do que se convencionou que ele deve ser e nem sempre nos damos conta disto.
Valor-notícia, critérios de noticiabilidade, verdade, veracidade são caracteres intrínsecos à produção noticiosa. Mas cadê isso no dia-a-dia? Culpa nossa que digerimos as coisas, antes mesmos de degluti-las.
Estamos tão preocupados em apenas saber das coisas do mundo, que é como se tudo sempre tivesse existido desta maneira e caminhasse para um lugar previsível. Maldito seja nosso hábito de naturalizar as coisas!
Me recordo agora do título de um livro de Nelson Traquina “Por que as notícias são como são?” Deveríamos nos fazer esta pergunta diariamente. Até ampliá-la. Por que o jornal é como é?…
Eu não sei se vou chegar a algum lugar com estas observações. Mas também não tenho esta pretensão. Aproveitarei o sabor da dúvida para voltar aos textos do meu primeiro semestre de faculdade.
Quero terminar o post de hoje – que deveria ter sido publicado há dias – confidenciando que são estas questões dialéticas que apimentam a minha relação com o trabalho. Eu quero continuar apaixonado pelo Jornalismo, pois ele me desafia. Acredito que dá pra fazer coisas diferentes – e legais – sem se distanciar da realidade. Acho que eu quero mais do que só escrever.
*A imersão na redação do correio24horas e do jornal CORREIO (impresso) é uma das etapas do Programa Correio de Futuro.