Durante as primeiras semanas de palestra no Correio de Futuro, dentre todos que tivemos a oportunidade de ouvir suas sabedorias, uma pessoa se destacou por uma peculiaridade. Ana Cristina Pereira, editora adjunta do caderno Vida do CORREIO, foi a que sentimos apresentar um “ar” mais calmo, menos estressado.
Perguntada sobre sua diferença de semblante, ela explicou que isso se dá, provavelmente, porque a editoria de cultura “não tem o peso do factual”. Pautas do Vida podem levar mais de um dia para ser apuradas, há mais planejamento para o que será publicado no jornal.
Fui desiludida logo no meu primeiro dia de imersão no CORREIO impresso. No momento em que Linda Bezerra apontou o dedo para uma repórter enfiada em sua cadeira e com um ar sério, pensei que ia para a editoria de Cidade. “Carla, você fica com Camila Jasmin, do Vida”.
Sentei ao seu lado e ela estava ao telefone. Quando terminou, começou a se explicar: a assessora (ah, os assessores…) não marcou a entrevista e agora não atende o celular! Daí, então, a dor de cabeça estava só começando. Depois de inúmeros telefonemas, Camila finalmente consegue o número da entrevistada. Pronto, entrevista feita, tudo certo.
Ô dó. Ainda faltavam fotos não só da entrevistada, como também de outras pessoas que seriam citadas. E estas fotos, as únicas de posse da assessoria, não estavam adequadas para o tamanho da matéria, que por acaso ia abrir o caderno Vida.
Vi Camila modificar o semblante repetidamente: desespero, pressa, estresse… Eram 17h, ela ainda não tinha terminado a matéria (que sairia no jornal do outro dia), pois teria que ter uma noção do seu tamanho depois que as fotos fossem diagramadas na página. E o Vida é uma das primeiras editorias a fechar*.
Participando de todo esse processo, me lembrei que a editoria de cultura faz parte de um jornal impresso diário. Ou seja, também tem seus deadlines, estresses, pressa e muitas coisas podem dar errado. A dádiva de poder planejar previamente não é um fator constante para os “escritores de cultura”. Todos sofrem dos mesmos males do impresso.
Imagino que Ana Cristina, no dia da palestra, estava feliz da Vida.
*Fechar para ser enviado à gráfica.