Um telefonema nada fácil

Um telefonema nada fácil

Há momentos muito complicados para um jornalista. E um desses momentos eu pude perceber hoje, quando estive na redação do CORREIO. Estava na editoria de Cidade com outros jornalistas que estavam cobrindo o caso da médica que está sendo investigada pela morte de dois irmãos em Ondina. Tentei contato com os familiares das vítimas para saber a opinião deles sobre o andamento das investigações e a repercussão do caso. Dentre várias tentativas, apenas o pai dos jovens atendeu ao telefone. Ele estava muito nervoso, falou alguma coisa que eu não entendi, se queixou da imprensa rapidamente e desligou o telefone.

telefone

Foto: Reprodução.

 

Engana-se quem pensa que é fácil para um jornalista tirar um telefone do gancho para obter informações de uma pessoa que está passando por um dos piores momentos da sua vida: perder dois filhos de uma só vez e de forma tão violenta.

Esse é o trabalho do jornalista e não deve ser entendido como “sensacionalismo”. Não é. Precisamos cobrir os fatos e seus desdobramentos, acompanhar as investigações, fazer o possível para ouvir as pessoas que estejam relacionadas diretamente e indiretamente com o ocorrido, para no dia seguinte, informar ao leitor que obviamente tem interesse em saber o que está acontecendo.

Nesses momentos, além de bom senso e respeito à dor do outro, é fundamental saber o quê perguntar e como falar ao telefone com quem quer que seja que tenha perdido um amigo ou parente. Apesar de não ter conseguido falar com os familiares, tirar o telefone do gancho para fazer uma ligação dessa não é nada fácil.