Em meio à nossa imersão, dei uma passadinha no Rio de Janeiro para participar do Global Investigative Journalism Conference, da Abraji. Com mais de 1300 participantes, de mais de 90 países, estive em contato com profissionais incríveis, brasileiros e estrangeiros. A exemplo, Caco Barcellos, Eliane Brum, Miriam Leitão, Joaquim Barbosa, José Hamilton, Eduardo Faustini, Clayton Swisher (Al Jazeera), Scott Zamost (CNN), Maiadah Daood (Freelancer no Iraque)…
Enfim, poderia passar o texto inteiro citando todos os nomes que me inspiraram, me fascinaram e alguns até me fizeram chorar com suas experiências. A cada dia, a cada palestra, fui tendo cada vez mais certeza de que acertei em cheio na profissão que quero seguir: Jornalismo.
Além de poder absorver cada palavra de vivência dos palestrantes, pude compreender um pouco mais o “ser Jornalista”. Muitos deles pediam que não tirássemos fotos para serem divulgadas, pois uma vez que seu trabalho é se infiltrar em situações de risco, uma simples imagem que os identificasse poderia custar suas vidas e a de suas famílias.
A partir disso e de outros casos, pude entender que eles não exercem o Jornalismo porque não têm outra opção, porque queriam se rebelar à opinião dos pais ou por algo parecido, eles são jornalistas por amor à profissão.

Scott Zamost (CNN), Clayton Swisher (Al Jazeera), Joaquim Barbosa, Marcela Turati (México), Nedim Seener e Haluk Sahin (Turquia), Umar Cheema (Paquistão) e Hanene Zbiss (Tunísia)
Se infiltrar, ser ameaçado, vivenciar a dor de uma guerra, convencer fontes a falarem, proteger estas mesmas fontes, se preocupar com as famílias (uma jornalista, para proteger seus entes, lhes conta que trabalha em um banco), tudo isto fala mais baixo do que a vontade de exercer o Jornalismo. Aos que foram perguntados, todos responderam que tudo isso vale a pena, que tudo isso deve ser superado em prol do que eles mais sabem fazer: levar a informação.
Nós, os participantes, vimos nos olhos e nas apresentações dos palestrantes suas dores e triunfos, chegando, às vezes, a quase sentir como se tivéssemos estado lá com eles. A bagagem de experiência deles não é pequena e ter a oportunidade de dividi-la com outros foi, com certeza, a melhor vivência para uma estudante de jornalismo.
Ri quando Nils Hanson, da Swedish Public TV (Suécia), mostrou o vídeo de um repórter indo de encontro a um poste por fixar os olhos apenas no entrevistado caminhante, chorei quando Marcela Turati, jornalista de A Pie (México), disse que lá “somos correspondentes de guerra do nosso próprio país”, deliciei-me com o falar poético de Eliane Brum, indignei-me com a situação dos índios Awá que Miriam Leitão conviveu, aplaudi quando Eduardo Faustini explicou o pedido de não tirar foto sua e publicar, pois significava um risco ao seu trabalho e à sua vida.
Enfim, experiência única, momentos inesquecíveis, conversas incríveis. A adjetivação do meu texto é apenas fruto da minha empolgação e da expectativa de, um dia, também poder dizer que tudo o que fiz e faço valem a pena.