O período de palestras e encontro com editores e repórteres se estendeu até a semana passada, mas de alguma forma este já me parece tão distante, afinal a imersão chegou, e essa rotina me veio com ares do clássico Hollywoodiano, Cidadão Kane. Talvez não por me espelhar na figura imponente de Charles Foster Kane, mas por me sentir correlato de alguma forma ao grande ator, Orson Welles.
Não fique confuso, caro leitor, a rotina de um repórter não se resume a receber a pauta, apurar o assunto e redigir o texto. Em meio a cada uma dessas etapas, existem vários detalhes. Como disse Linda Bezerra, “o detalhe”. Apurando uma denuncia delicada há alguns dias – por cerca de 10 minutos ao telefone – deixei de ser Victor Lahiri e me tornei um outro alguém, um tal de Alisson, cidadão comum, um vigia desempregado que conseguiu a confirmação da denúncia, com essa informação o texto já estava assegurado, ufa!
E assim é o dia a dia do jornalista, você precisa das mil faces e facetas que vão lhe auxiliar na descoberta da informação que lhe falta. Nem sempre essa confirmação vem com facilidade, por isso é necessário estar atento para o discurso do interrogado, pois quando esgotam-se os recursos, tudo vira improviso. Ser jornalista, é exercício de mil habilidades e cada dia nós descobrimos um novo talento. Eu já sei que se esse ofício não der certo, talvez eu até tenha uma chance na nos grandes estúdios de cinema! Olha só, já estou fingindo que sou um grande ator, ou melhor, atuando.
P.S. Não deixem de assistir o filme “O Cidadão Kane”. É imperdível!