“No máximo consegue se divertir sozinho, mas deixa os leitores em segundo plano. Não passa uma ideia do tipo ‘vocês têm que ler isso…'”. Esta frase foi dita a Masashi Kishimoto, autor de um dos quadrinhos japoneses de maior sucesso no mundo – o mangá Naruto – quando começou a levar a sério o trabalho de escritor.
Kishimoto não é jornalista. Mas eu comparo o dilema enfrentado por ele com um desafio posto a mim todos os dias: Fazer com que o meu texto converse com outras pessoas além de mim mesmo.
Às vezes somos tão vaidosos que esquecemos da nossa função de fazer com que a informação chegue ao leitor. Nosso compromisso é com ele, oras!.
Ao ler Naruto e conhecer mais sobre trajetória de Kishimoto percebo o quanto o autor conseguiu internalizar a opinião do seu amigo e fez com que os desenhos e histórias sobre ninjas saíssem do interesse dele próprio. No Jornalismo também é preciso que os temas sejam impressionantes para quem lê e para quem escreve.
Quando escrevo reportagens sobre temas científicos (algo que me fascina!), compreendo que eu não apenas preciso apresentar o discurso mais acessível que eu puder, já que lido com temas que são muito específicos de determinadas áreas, como também é necessário que eu saiba perceber o clima do leitor para quem eu direciono meus textos. Não adianta escrever sobre o assunto mais curioso ou cabeçudo se eu desconheço para quem estou escrevendo.
Entender a responsabilidade do nosso trabalho e assumir esta função com dedicação permite que criemos alguma intimidade com quem nos lê. Escreva o texto que você gostaria ler (claro que isso tem ressalvas, rs).
Ademais, estamos tão preocupados em melhorar como profissional que esquecemos de outra função que nunca deixamos de ocupar. E neste ponto eu parafraseio Linda Bezerra, uma das palestrantes do Correio de Futuro, “Jornalista também é leitor”. Sim, é verdade. Nunca deixamos de cumprir a função que o nosso trabalho outorga.
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