O que aprendi com Naruto

O que aprendi com Naruto

“No máximo consegue se divertir sozinho, mas deixa os leitores em segundo plano. Não passa uma ideia do tipo ‘vocês têm que ler isso…'”. Esta frase foi dita a Masashi Kishimoto, autor de um dos quadrinhos japoneses de maior sucesso no mundo – o mangá Naruto – quando começou a levar a sério o trabalho de escritor.

Foto: Edvan Lessa.

Foto: Edvan Lessa.

 

Kishimoto não é jornalista. Mas eu comparo o dilema enfrentado por ele com um desafio posto a mim todos os dias: Fazer com que o meu texto converse com outras pessoas além de mim mesmo.

Às vezes somos tão vaidosos que esquecemos da  nossa função de fazer com que a informação  chegue ao leitor. Nosso compromisso é com ele,  oras!.

Ao ler Naruto e conhecer mais sobre trajetória de Kishimoto percebo o quanto o autor conseguiu internalizar a opinião do seu amigo e fez com que os desenhos e histórias sobre ninjas  saíssem do interesse dele próprio. No Jornalismo também é preciso que os temas sejam impressionantes para quem lê  e para quem escreve.

Quando escrevo reportagens sobre temas científicos (algo que me fascina!), compreendo que eu não apenas preciso apresentar o discurso mais acessível que eu puder, já que lido com temas que são muito específicos de determinadas áreas, como também é necessário que eu saiba perceber o clima do leitor para quem eu direciono meus textos. Não adianta escrever sobre o assunto mais curioso ou cabeçudo se eu desconheço para quem estou escrevendo.

Entender a responsabilidade do nosso trabalho e assumir esta função com dedicação permite que criemos alguma intimidade com quem nos lê. Escreva o texto que você gostaria ler (claro que isso tem ressalvas, rs).

Ademais, estamos tão preocupados em melhorar como profissional que esquecemos de outra função que nunca deixamos de ocupar. E neste ponto eu parafraseio Linda Bezerra, uma das palestrantes do Correio de Futuro, “Jornalista também é leitor”. Sim, é verdade. Nunca deixamos de cumprir a função que o nosso trabalho outorga.

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