Por Victor Lahiri e Cristina di Paula
Diariamente uma empilhadeira retira do depósito, um rolo de papel Kruger que será inserido na bobina da rotativa. Lá toda informação contida na lâmina de alumínio será impressa no papel, em seguida todo o conteúdo é encartado, repicado, transferido para os diversos pontos da cidade onde você leitor vai consumir sua dose diária de informação.
Esse é nada mais nada menos do que o processo pelo qual passa o jornal nosso de cada dia, e nós do Correio de Futuro, fomos hoje à Gráfica Santa Helena, conhecer cada etapa desse lado “esquecido” da construção do periódico mais vendido da Bahia.
Passeando por Lauro de Freitas, um desavisado qualquer jamais imaginaria que aquele galpão de 3.150m² abriga uma estrutura que leva diariamente, informação a milhares de pessoas em cada canto de Salvador.
A Santa Helena, hoje possui o título de maior parque gráfico do norte-nordeste, produzindo, somente do CORREIO, 70.000 exemplares diários, “a partir do momento em que recebemos a edição fechada lá da redação, temos até 20 minutos para iniciar a rotação, a máquina produz 100 exemplares por minuto”, explicou o gerente industrial do jornal Jeronimo Souza.
O lado prático do negócio, uma mão de obra que compreende 226 funcionários diretos e indiretos, nem sempre é lembrado por todos. Quando pensamos em jornalismo, imaginamos uma redação cheia de profissionais concentrados em escrever suas matérias, o repórter nas ruas em busca da pauta, o lado romântico do ofício. Mas você já pensou como seria possível obter o jornal sem esse núcleo tão importante?
Do Prelo de Gutemberg as grandes máquinas modernas de impressão
Olhando todas aquelas máquinas trabalharem freneticamente e de maneira minuciosa, sem danificar uma folha de papel, nossas mentes foram inundadas pelas lembranças das aulas de História do Jornalismo.
Recordei a história do alquimista chinês Pi Sheng, inventor dos caracteres móveis nos anos de 1040 a 1048. Para que alguma página fosse impressa ele reunia os caracteres formando as palavras em uma estrutura de ferro e as fixava com cola especial.
Lembrei também das informações sobre o Prelo, uma máquina de impressão criada pelo alemão Gutemberg em 1455. A máquina era de madeira, as letras e os símbolos eram de metal e esculpidos em relevo.
A prensa só imprimia uma página por vez, os caracteres eram montados manualmente em linha, para serem colocados em uma forma, que juntava tudo e formava a coluna.
A tinta inicialmente era à base de água, mas não tinha uma aderência boa e manchava muito, então Gutemberg utilizou óleo de linhaça e negro-de-fumo misturado para obter uma tinta melhor.
Outra máquina, dessa vez toda metálica, criada em 1800, por Charles, o 3.º Earl de Stanhope, funcionava com um sistema de alavancas que aumentava consideravelmente a força da máquina, o que permitia imprimir 250 folhas por hora, o que era impressionante para a época.
O maquinário era totalmente artesanal comparado ao aparato de impressão atual. O modelo colorido substituiu o antigo preto e branco, pela demanda do consumidor que busca cada vez mais uma aproximação da fidelidade da imagem e de um produto mais atrativo. As tintas são feitas a base de óleo comestível e são utilizadas quatro como base para fazer a impressão colorida do jornal que são cores azul, vermelho, amarelo e preto.
Ao final da vista a gráfica questionamos o Jeronimo sobre o futuro do impresso a visão dele contradiz as opiniões de muitos estudiosos, “muita gente vem aqui e me diz que em 20 anos os jornais impressos serão extintos, eu penso diferente, pois apesar do crescimento das plataformas online, as pessoas ainda gostam do papel, e as indústrias continuam investindo massivamente no aprimoramento da tecnologia para a criação de novas máquinas, e isso é um indício de que a demanda pelo jornal impresso ainda vai se perpetuar por muito tempo”.
Imagens utilizadas do site:
Imagem 1e2: http://www.tipografos.net/tecnologias/maquinas-antigas.html
Imagem 3: http://pessoas.hsw.uol.com.br/jornais4.htm