
Welter Arduini. Foto: Vitor Lahiri.
Segunda-feira, 14h: “Que dia é hoje?” “Segunda-feira.” “Não, hoje é terça-feira. O dia de ontem já acabou faz tempo”. Se eu não estivesse escutado esta frase no momento em que ela foi dita, diria que alguém se confundiu com o calendário. Mas Welter Arduini, gerente de mercado leitor do CORREIO, estava certo ao inferir que a preocupação com o futuro começa no instante em que o jornal é publicado.
Você já se perguntou, todavia, porque o tempo é tão precioso neste campo? É certo que, um: ele se esvai; dois: ele se materializa. As notícias que escrevemos, por exemplo, são o reflexo da nossa capacidade de transformar horas, minutos, segundos, em algo tangível.
O principal aspecto a ser considerado, por sua vez, não é o tempo pelo tempo. E, sim, qual a maestria para transformá-lo no melhor produto possível, pois ele vende, “ele é dinheiro”.
A maneira de contabilizar a duração de um dia é universal, mas cada pessoa é capaz de conduzi-lo à sua maneira – ainda que submetida a um tempo que é de todo mundo. Ai de um repórter que não finalize a sua pauta até o fechamento do Jornal! Ai do Jornal se o assinante não estiver com seu produto durante o café da manhã do dia seguinte!
O tempo é uma voz que precisa ser ouvida. Não é bom deixar que ele grite. A organização se torna fundamental, portanto, para que consigamos lidar com o enorme volume de tarefas urgentes em prazos cada vez mais curtos.
Mesmo na medida do humanamente possível, não é fácil. Mas quando entendemos, humildemente, que o tempo que dispomos não é inteiramente nosso, e sim do coletivo, é possível realizar coisas que desafiam a relação com o aqui e agora. É possível pensar no amanhã.
Lembra que o jornal de agora é o que marca o início da produção daquele que você vai ver no dia seguinte?