Dia comum: a procura do gancho perfeito

Dia comum: a procura do gancho perfeito

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Primeiro dia de rua. Esporte, eu vou querer esporte. Raulzinho está no online, então eu vou pra casa do leão. Quero ver a rua, ver o treino, entender como funciona essa dinâmica do futebol. Não é uma grande novidade, o trabalho de produção de TV me ensinou um pouco como funciona a logística. Pra mim, o esporte era o material pronto e o motoboy no local pra buscar o VT. Até então…

Segunda-feira. Dia de volta a rotina de treinos. O time jogou sábado, já não está tão novo. Li os jornais, não estou tão desatualizada. Olhando para aquele campo me lembrei da última vez em que estive ali. Eu comemorava meu aniversário assistindo ao empate do meu time com o dono da casa. Chovia tanto, fiquei três dias gripada. Mas, hoje não chovia. Ao invés disso, tinha mosquitos.

Novidades? Não. Reservas em campo com bola, titulares na academia. Outros três treinam separados. Uma segunda cheia de dúvidas: os contundidos voltam? Talvez.  Ele joga de novo como meia? Talvez. E volante? Talvez.

Em um dia como esse, é preciso ELE. Ele, o tal do gancho. A centelha de luz quase divina, pronta para transformar a informação. Sem ele vai ficar difícil, vai ser só uma nota, informação seca, sem graça. Não dá. Mas ele vai vir. Olhar o treino ajuda, pode rolar um milagre. O time reserva está fazendo um jogo bonito de assistir… O colega do lado esta cheio de “uhhh”, “eita”, “gol”. Fico intrigada. Mas não me disse nada ainda. Nem pro colega do lado. Então resenha-se. Falamos do que pode ser, do que não pode. Especulações, Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores (sim, Libertadores!).

A coletiva. É lá! Todo mundo juntinho na salinha da coletiva. Risadas, descontração. Ligaram os microfones, vamos falar sério agora. Perguntas, perguntas e mais perguntas. Ele tá por ali, o repórter pode sentir. Ele faz uma pergunta. Faz outra. Estou entendendo, eu acho. De repente, acabou. Acabou?

Não. Quando saio observo o meu experiente tutor do dia ali, caminhando junto com o jogador, jogando conversa fora, como quem estava num papo de camarada. Foi impressão minha ou tinham lágrimas nos olhos? Foi não. Tinham sim. Ele tinha achado. Na verdade, cavado. Alguma coisa aconteceu naquela coletiva, provocou um estalou na cabeça dele e ele foi atrás. Quando voltou, me contou. Gostei! Minha cabeça inexperiente ficou tramando mil coisas e o a resposta era simples, coisa humana, coisa leve. Coisa boa pra se ler em uma terça-feira.