Descomplicando o “economês”

Descomplicando o “economês”

O jornalismo econômico não é tão complicado como eu acreditava. Não precisa, necessariamente, amar matemática, saber tudo sobre inflação, PIB e Bolsa de Valores. A profissional responsável por derrubar todos esses mitos foi a editora de Economia do jornal CORREIO, Rozane Oliveira.

Para selar a paz entre os estudantes e o jornalismo econômico, Rozane foi logo dando uma dica para os focas que morrem de medo da Editoria: “a linguagem utilizada não precisa ser rebuscada. A grande dificuldade é saber o que perguntar nas entrevistas e saber utilizar as respostas de maneira interessante”.

Rozane Oliveira, à esquerda, com a caneta na mão, Foto: Victor Lahiri

Rozane Oliveira, à esquerda, com a caneta na mão. Foto: Victor Lahiri.

 

A editora alertou que, nas matérias, números vão interessar apenas a quem estuda economia, por isso, procura trazer temas interessantes que tenham relação com economia popular – como o aumento do preço do tomate que aconteceu no início doa ano. Segundo ela, concursos públicos, assuntos relacionados à casa própria e matérias que mostram empreendedores de sucesso também interessam as pessoas.

Em relação à produção de conteúdo, a editora reconheceu que há algumas dificuldades em relação a rotina: “às vezes, você não tem tempo de elaborar e engole o que vem das agências”, lamentou. “O jornal vive numa corda bamba. Ele precisa vender e precisa também fazer algo que o público não espere. Não pode ficar se nivelando por baixo”, concluiu.

Questionada sobre a forma superficial de algumas matérias, Rozane foi enfática: “quem quer mais profundidade vai comprar o Valor Econômico e a Revista Exame; não dá para aprofundar tanto. O público do CORREIO vai da classe A a D”.

A linguagem utilizada pelos economistas, claro, não é facilmente compreendida pelo leitor. Por isso, a editora, quando questionada sobre o espaço que os economistas vêm ocupando nos jornais, disse que o ideal é que o próprio jornalista entreviste o profissional de economia e tire as duvidas que ele e o leitor que não entende profundamente do assunto, tenham curiosidade de saber.

Será o fim do “economês”? Se sim, os leigos no assunto agradecem.