A palestra dessa quarta (02) foi com o colunista e repórter especial do caderno de esportes Marcelo Santana. Marcelo é formado em Jornalismo pela Faculdade de comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/UFBA) e tem a sua história no Jornalismo muito atrelada a Rede Bahia. Empresa onde entrou como estagiário, foi repórter, editor e atualmente ocupa uns dos cargos mais singulares dentro de uma redação, o de repórter especial e colunista de esportes.
Marcelo começou a palestra falando sobre o principal motivo que o levou a abandonar o curso de medicina e se jogar no mundo jornalístico, a paixão pelos esportes. Principalmente o futebol. Parece até clichê, mas essa é a principal motivação dos jovens que optam por essa editoria que transita entre a informação e o entretenimento. Apesar dessa paixão pelos esportes Santana lembra que sua primeira experiência no jornalismo foi em uma editoria bem diferente da qual ele está inserido hoje, foi como estagiário do caderno de Cultura do site Ibahia.
Questionado sobre a abordagem excessiva da dupla Ba Vi nos cadernos de esportes Marcelo pontuou que a maior dificuldade do jornal é ter um grande público para os outros esportes: “O que o leitor de esportes do CORREIO quer é Bahia e Vitória. Quando a gente tenta avançar para matérias de outros esportes, fora do futebol e da dupla Ba Vi o jornal tem uma leitura mais reduzida. Isso é duro, mas é a realidade”. Em seguida ele esclareceu que apesar de tudo uma boa história sempre terá espaço no jornal, independente de qual esporte for: “Mas se o jornalista conseguir uma boa história, seja de futebol, boxe o que for, se a história for realmente boa, pode ter certeza que ela vai sair”.
Após Santana falou aquilo que a seu ver é necessário para um jornalismo responsável, o pensamento altruísta. Marcelo criticou os jornalistas que utilizam termos pejorativos para definir uma pessoa ou sua atividade e citou um exercício que depois que começou a utilizar mudou a sua visão de definição quanto aos indivíduos e suas atividades na hora de escrever: “Antes de escrever um adjetivo pejorativo para definir uma pessoa ou sua atividade pense o seguinte: Como seria se a mãe do cara estivesse lendo o seu texto, isso muda tudo…”. Após os risos esse exemplo levou a plateia de jornalistas de futuro à reflexão.
Sobre o futuro ele deixou um conselho quê é seu lema de vida: “Quando eu entrei aqui na Rede Bahia como estagiário eu sempre quis ser o melhor, ter mais matérias publicadas em destaque. Eu acho que em tudo nessa vida você tem que entrar para ser o melhor, é claro, sem sabotar e atrapalhar as pessoas”. Na parte final da palestra Marcelo foi questionado sobre se o fato do indivíduo torcer por determinado clube afetaria a sua apuração e escrita das matérias, ele respondeu com um toque de bom humor: “O fato do jornalista torcer para determinado clube não deve afetar essa sua atuação dentro do seu trabalho, pois o fato do jornalista torcer e gostar do esporte é que faz ele optar por essa editoria, na hora do trabalho ele deve deixar o lado torcedor um pouco de lado e se concentrar no lado jornalista. Eu por exemplo sou Bahia, não escondo isso de ninguém, isso não me atrapalha de fazer colunas e cobertura sobre o Vitória, eu confesso que passei a gostar menos do Bahia depois que entrei na redação. Por quê cara, você vê tanta coisa errada que vai desgostando…”.