Normalmente, entre o caderno Mais e os Esportes, oras! Essa não foi uma das perguntas feitas à editora adjunta do caderno Vida, Ana Cristina Pereira que nessa tarde de quarta-feira, nos encontrou para apresentar a rotina da editoria cultural do CORREIO. Eu estava confortável com o tema, mas preciso admitir que depois de tantas perguntas saí de lá com os bolsos cheios de novas questões.
Durante o bate-papo, Ana Cristina nos contou sobre sua trajetória no jornalismo e deu dicas importantes sobre o exercício cotidiano de abordar cultura junto a um público tão vasto e diferenciado nos seus interesses, “o jornalista desse meio precisa ter um bom repertório, afinal, eu não conheço ninguém atuante nessa área que não frequente os programas culturais da cidade”, afirmou. Ela aproveitou a oportunidade para ressaltar as necessidades da cena cultural que cresce e demanda cada vez mais exposição, porém, nem sempre é destacada pelos veículos, “às vezes chega a ser frustrante, perceber que há tanto evento interessante acontecendo, mas por conta das limitações impostas pela estrutura do caderno, não podemos publicar”, explicou.
Na redação, entre telefonemas e emails, a rotina de filtrar o que vai ou não entrar na edição se torna uma verdadeira guerra. Entre o produtor que fornece releases incompletos, fotos em baixa resolução e contatos que às vezes complicam mais do que explicam o conteúdo do evento, o dia a dia das pautas ao menos permite um pouco mais de tempo para elaboração. Mas e os brindes, cortesias e jabás? perguntamos, “se ocorrem, não são garantia de que vão influenciar na publicação”, explicou Ana, “a relevância do evento junto ao público é o fator principal para o espetáculo ser aprovado no fechamento do jornal”.
Findada a discussão, eu não podia deixar de pensar no futuro, afinal, esse é o nosso papel no programa. Com um público que consome tantas faces de cultura, por quanto tempo essas limitações do impresso vão resistir? Será não está hora de aliar o meio online à essa produção, mais intensamente? E o mais importante, qual será o futuro dos cadernos culturais na nova realidade multimídia? Só nos resta planejar e preparar, pois a resposta, só o tempo vai dar.