O que acontece se cruzarmos o Jornalismo com o Excel?

O que acontece se cruzarmos o Jornalismo com o Excel?

Dados disponíveis em sites oficiais podem não significar muita coisa para alguns, mas para os que sabem o que fazer com essas informações, podem render grandes investigações para matérias excelentes. Esta foi uma das lições dos palestrantes do dia: Jairo Costa e Victor Uchôa.

Foto: Carla Trabazo

Jairo Costa / Foto: Carla Trabazo

Ambos sabem como usar o programa Excel, – aquele que já vem no seu Windows, cheio de planilhas, a princípio difíceis de lidar – que ao cruzar dados fornecidos por sites oficiais, várias informações valiosas acabam se traduzindo. Veja bem, o segredo não está no programa (talvez um pouco), e sim na forma como é usado e no chamado Jornalismo de Dados.

Através de uma simples planilha, alimentada diariamente, Victor Uchôa e Juan Torres escreveram a série 1000 Vidas, no Correio, finalista dos prêmios Esso e do Data Journalism Award. E, ainda pelo Excel, Jairo Costa já descobriu diversos “esqueletos” do antro político, rendendo matérias investigativas que se tornam importantes para o conhecimento público.

Foto: Reprodução

Série 1000 Vidas / Foto: Reprodução

Mas antes de imaginar as maravilhas que uma planilha com dados pode proporcionar, aí vai um freio de Uchôa: “Os números dão o norte, mas a reportagem ainda é o que move o jornalismo, não o computador. Dados são a matéria-prima, mas isso não é o suficiente, deve-se saber analisá-los e contextualizá-los”.

Humanizar a matéria é essencial, não basta jogar todos os números. O diferencial está em um infográfico, em um personagem para a história ou na tradução da informação, de uma forma que aproxime o leitor à realidade em questão.

Mas isso tudo, primeiramente, deve vir dos dados coletados, que sem uma planilha que cruze e filtre tudo o que queremos, o resultado seria mais lento, irritante e desencorajador. Por isso, reconsidere, com carinho, seus conceitos sobre o programa de planilhas, pois as palestras de hoje me despertaram para conhecer melhor esse bicho, que não chega a sete cabeças.