A magia da rádia*

A magia da rádia*

Você pode estranhar o título e até achar que sou louca por falar de rádio no primeiro dia em que escrevo para o blog. Mas não posso deixar de contar para vocês como foi encantador conhecer os estúdios das rádios, durante o nosso tour pela Rede Bahia. Conhecemos todos os departamentos, fomos bem recebidos e surpreendidos com histórias dessa caixa mágica que é o rádio. Quando chegamos na rádio Globo FM, fiquei surpresa ao ouvir aquele vozeirão da Angelina Yoshie. No mesmo instante, fui transportada a minha infância, quando andava de carro com o meu pai e ouvia aquela voz falar: “agora, no Double Moments…”

Já em êxtase, observando atenta como funcionava aqueles botões do painel e como ela comandava toda aquela programação sozinha naquele horário, o Alexandre Orreda entra no estúdio e nos conta mais sobre o desafio de ser radialista durante todos esses anos. Como um especialista e vivente do assunto, ele contava sobre cada equipamento que era usado no estúdio como as caceteiras, onde se colocavam as fitas com as propagandas dos anunciantes, ao trabalho minucioso de gravar a sua voz com o BG (trilha de fundo), tudo ao mesmo tempo.  A rápida e cuidadosa arte de colocar um LP para funcionar, sem distorcer a música tão esperada pelo ouvinte, que na época, só tinha essa opção de ouvir música gratuita.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Hoje, a tecnologia favoreceu as rádios e o seu funcionamento. Sistemas mais sofisticados, que com um simples toque, colocam a música no ar.  A internet também ajuda bastante o veículo, proporcionando o acesso da rádio online, onde você estiver. Por outro lado, sempre me intrigou como o avanço tecnológico que trouxe os downloads gratuitos e dezenas de músicas para ouvir sem custos não acabou com a rádia, como é carinhosamente chamada por algumas pessoas que moram no interior.

E, para meu encanto, o radialista parecia desconfiar da minha curiosidade. Depois de uma longa caminhada, sendo parte das transformações que a rádio passou, Alexandre Orreda diz que o locutor é o que faz o ouvinte ainda ser fiel ao rádio. E, parece muito justo pensar dessa forma, já que não há mais a necessidade de só ouvir músicas através da caixa mágica. A relação locutor-ouvinte se tornou mais romântica e significativa.

Saber que tem alguém escolhendo músicas para você, com informações durante todo o dia de uma forma simples e direta é o que faz as pessoas ouvirem as vozes conhecidas e, que com o tempo, se tornam íntimas de seus cotidianos.

Pra quem gosta de música e boa informação, a rádio continuar no ar.

*Em algumas cidades do interior, onde a rádio foi por muito tempo o único meio de receber notícias, algumas pessoas chamavam o aparelho por esse nome.