(Reprodução/Internet)
Superando o endereço não ideal, assunto do texto anterior, vamos falar da surpresa que o primeiro acesso ao e-mail me reservou… Essa é uma carta a um leitor: o primeiro leitor a reagir a um texto meu. Reagiu bem mal, é verdade, e isso é o que torna tudo tão interessante – e que faz valer esse relato aqui.
“Cara, seu texto é péssimo.”
Foi assim que o leitor começou. Foi essa a primeira frase que eu li ao conseguir acessar pela primeira vez o famigerado e-mail corporativo. Essa reação nada delicada vinha depois que ele tinha lido aquela matéria sobre azeites. Eu tomei um susto. Tinha feito tudo com tanto cuidado, seguido as orientações do editor à risca, jamais esperei uma reação como essa.
É claro, não passei ileso pelo e-mail do leitor. Fiquei triste a princípio. Pensei sobre o que devia ter feito diferente. Ele reclamava que a matéria era ruim e que parecia apenas querer vender determinadas marcas de óleo. Mas, no fim, a mensagem serviu para que eu percebesse que o nosso trabalho conta.
Às vezes, como estagiários, vamos seguindo as orientações de quem nos supervisiona e a sensação que fica é que quem vai ler tudo aquilo são eles: os chefes – no caso do jornal os editores – e só eles. Caro leitor, você me ensinou que não. O que a gente escreve realmente é lido. Por gente que a gente nem conhece, sejam curiosos, sejam interessados no assunto, ou aqueles que têm interesses – no caso dele, representante de marcas específicas de azeite, talvez o problema tenha sido não ter mencionado as marcas que ele comercialmente representa. De fato, para ele, meu texto era péssimo.
Parado na frente do computador não soube muito bem o que fazer. Respondo? Ignoro? Se respondo, como reagir a uma crítica de forma educada? Conversei sobre o assunto com Maria Ísis, uma das professoras orientadoras do Correio de Futuro. E na conversa uma lição importante: responder é uma questão de atenção ao leitor. Seja educado, simples e responda. Quem critica o seu trabalho hoje, pode ser a sua fonte de amanhã. Ao meu leitor, além dessa carta aqui, enviei um e-mail. O objetivo era, principalmente, esclarecer que não houve qualquer favorecimento comercial ou indução minha nas marcas de azeite citadas pelas fontes. E mostrar a ele que a sua mensagem também conta, que ela foi lida.
No fim, acabei também desabafando sobre isso com alguns jornalistas do jornal e o conselho foi o mesmo: faz parte, você vai receber piores. Acho que só dei um passo a mais no caminho para me tornar um jornalista de verdade.