Agricultura e Sustentabilidade

Agricultura e Sustentabilidade

Tomate é uma das frutas cultivadas pelo agricultor (Foto: Pedro Vilas Boas)

Tomate é uma das frutas cultivadas pelo agricultor (Foto: Pedro Vilas Boas)

Seu Valdenor Onofre, 58 anos, acorda todos os dias bem cedo para cuidar da propriedade onde mora, localizada na zona rural de Ibirapitanga, no Baixo Sul da Bahia. No local, o pequeno agricultor, que divide uma casa simples com sua esposa, Dona Brasilina Souza, 54, com quem é casado há 40 anos, cultiva cacau, andu, banana, tomate, além de feijão-de-corda para adubação orgânica, entre outras plantações. Tudo de forma sustentável. Mas há três anos, o método de trabalho era muito diferente. Valdenor e sua família desmatavam para sobreviver.

Na área de 6 hectares (equivalente a seis campos de futebol) ocupada pelo senhor de cabelos grisalhos, arrumado, de estatura baixa e muito simpático, já foram cometidos muitos erros ambientais. A técnica da queimada, por exemplo, na qual o agricultor desmata a floresta com o uso do fogo para “limpar” o terreno e plantar, foi muito utilizada por Valdenor desde a década de 70, quando ajudava o pai, Joaquim da Mata – morto há 10 anos – a cuidar da propriedade, onde morava com os 11 irmãos. “Era a cultura dos pequenos agricultores. Todo mundo fazia assim”, justifica Valdenor, apontando para o verde das árvores e plantas, que um dia já sofreu com a cor cinza das queimadas.

Seu Valdenor e Dona Brasilina são casados há 40 anos

Seu Valdenor e Dona Brasilina são casados há 40 anos (Foto: Pedro Vilas Boas)

A comunidade onde o agricultor mora, que leva o nome de seu pai, primeiro morador da localidade, tem ao todo 63 hectares. É formada por descendentes de Joaquim da Mata. Segundo Valdenor, não há uma pessoa andando pelas casas e ruas da comunidade que não seja seu parente. Nas residências da região moram irmãos, filhos e netos de Valdenor. Ele admite que alguns familiares ainda utilizam métodos incorretos no trabalho da agricultura, mas garante que a maioria aprendeu o que a Organização de Conservação da Terra (OCT) ensinou.

Apoio institucional

A OCT é uma instituição que tem como objetivo orientar os pequenos agricultores da mesorregião do Baixo Sul da Bahia a trabalhar de forma sustentável, preocupada com o meio ambiente. Além do ensino sobre cultivo, a organização também ajuda com mão-de-obra e pagamento por serviços ambientais. A entidade recebe apoio da Fundação Odebrecht, através do Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade do Mosaico de Áreas de Proteção Ambiental do Baixo Sul da Bahia (PDCIS), além da ajuda de outras instituições públicas e privadas.

Seu Valdenor é dono de uma área de 6 hectares (Foto: Pedro Vilas Boas)

Seu Valdenor é dono de uma área correspondente a seis campos de futebol (Foto: Pedro Vilas Boas)

“Nós tomamos consciência depois da visita da equipe da OCT. Reconhecemos nossos erros e não derrubamos mais madeira ou fazemos queimadas. Nem uso mais adubo químico”, conta Valdenor, orgulhoso da nova conduta com a terra. Por esse uso sustentável, esse pequeno produtor rural vai receber, em breve, a Certificação Participativa, concedida pela Rede Povos da Mata – ligada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – que entrega o selo a agricultores cem por cento orgânicos. A certificação vai ajudá-lo na comercialização dos cultivos produzidos na propriedade.

Renda

Valdenor revela que já conseguiu lucrar até cerca de R$ 4 mil com a venda de sementes de plantações da propriedade. Ele integra uma rede de coletores de sementes, formada por 50 agricultores, onde oito são moradores da comunidade Joaquim da Mata. Mas o pequeno agricultor sonha mais alto e quer mais.

“Eu espero que ainda, antes de eu partir, eu tenha uma vida melhor. Viver uma vida de (…) ter um carro bom, dinheiro suficiente, passear, ter vontade de fazer o que quer. Espero que um dia eu possa chegar a esse ponto. Nem só eu, todos que batalham. A gente espera o melhor na vida, né?”, planeja Valdenor, com um olhar de esperança e um sorriso no rosto.