A hora da apuração

A hora da apuração

Como bem disse a colega Natália Falcón no post anterior, estamos preparando o nosso produto final do programa Jornalismo de Futuro. Foi um longo (talvez, não tão longo assim) caminho de experiências e aprendizados sobre a profissão jornalística e o complexo processo que é a produção de um jornal. Agora é chegada a hora de pormos as mãos nos bloquinhos, telefones, canetas, câmeras, computadores (e mais qualquer outra ferramenta que possa ajudar) e irmos a campo para apurar as pautas para a realização das matérias que, se tudo der certo, em breve estarão nas mãos dos leitores.

Eu e Catiane Rodrigues, com o inestimável apoio do repórter Ronney Argolo, estamos com uma instigante pauta sobre educação que está rendendo bastante… Já estamos desde a semana passada numa intensa e cansativa rotina de apuração, contato com fontes diversas – de pessoas com histórias a serem contadas à assessorias de comunicação e especialistas diversos…

Duas lições que estamos aprendendo é:

1. quanto mais fontes tivermos melhor.

2. o relógio é malvado.

As fontes são muito voláteis. Uma hora podemos estar com uma lista de 10 contatos, que podem se tornar três, de repente, por causa de desistências e desmarcações. Assim como podem surgir novas fontes de onde a gente menos espera e, então, é necessário reagendarmos as entrevistas de forma que seja compatível com os horários disponíveis entre elas. Em outros momentos, temos várias fontes especialistas de um certo campo do conhecimento e nenhuma que domine outro aspecto do assunto, tão importante para a matéria quanto as outras…

O tempo passa muito rápido. Por isso é necessário muita agilidade e uma capacidade de memória e organização muito grande para se lembrar de todas as fontes que você precisa contatar. É preciso, também, distribuir o tempo que você gasta com a apuração – pesquisa sobre o tema, agendamento das marcações com as fontes, entrevistas presenciais e por telefone… Um dia passa brincando e, às vezes, você parece nem ter saído do lugar.

É bem desesperador (e frustrante), por exemplo, quando você marca com uma fonte, se desloca até o local e, na hora, ela desiste de dar a entrevista. Mas, em compensação, nada substitui a gratificação de você conseguir aquela fonte que acaba lhe trazendo numa entrevista mais informações e pontos de vista do que você esperava encontrar. Situação que, se bem aproveitada, pode acrescentar ainda mais  à sua matéria.

Enfim, como quase tudo na vida, se resume a um clichê: é como um enorme quebra-cabeças… É necessário muita observação, paciência e concentração para conhecer as formas de cada uma das peças e quais que se encaixam melhor para completar o jogo.