O assunto ontem foi delicado. Cobertura da passeata realizada pelos amigos e parente do coreógrafo Augusto Omolú, assassinado a facadas no último domingo. Como cheguei cedo, fui só, o que facilitou a conversa com as fontes em um momento tão delicado como o de perda. Os questionamentos começavam sempre com uma mensagem de “sinto muito”, não consigo ser tão imparcial nesses casos, e nem acho que o deva.
Em meio à passeata, um rapaz se aproximou para me dizer o horário do enterro no dia seguinte, diante da minha expressão de indagação, ele completou, “Sou o filho dele”. Desse momento em diante começamos uma conversa que rendeu informações sobre a conversa que pai e filho tiveram sobre a insegurança do endereço, a chegada da esposa e das outras filhas no mesmo dia, e, a recente morte do irmão da vítima.
O ato terminou no Teatro Castro Alves, onde também considero o momento mais difícil. As orações, mensagens e cantorias em meio à lagrimas, fizeram com que eu, manteiga derretida, tivesse que me segurar. Confesso que tive uma inveja branca do fotógrafo de outro jornal, que encarava os rostos chorosos por trás da sua lente, ele não ficava cheio de dedos como eu, a câmara ficava a poucos centímetros da comoção, se conseguiu captá-la, isso já é outra história.

Na volta à redação, após ‘trocar figurinhas’ com Linda e Perla, sentei para bater meu relato. Sai do Correio por volta das 15h (cheguei às 8h), mas poucos dias foram tão proveitosos. A matéria saiu com grande parte do havia apurado e escrito, e, consequentemente, com minha assinatura ao lado do repórter que também esteve presente, o conterrâneo de Conquiiista, Caique Santos.