Os grupos trocaram de posição. Nós, que estávamos no aquário na semana passada, começamos pegando um dia meio fora dos padrões. Quando chegamos, no início da tarde, boa parte da edição do jornal de terça já havia sido fechada e as pautas que ainda faltavam para integrar o restante do jornal já estavam sendo apuradas pelos repórteres.
Esse dia atípico se deu por causa daquela promoção que o Correio* realiza em conjunto com músicos em que os discos são oferecidos conjuntamente com o jornal. Nestes casos o jornal precisa ser fechado e enviado para a gráfica mais cedo, com tempo suficiente para que toda a tiragem seja rodada e entregue nas bancas e aos assinantes na outra manhã.
Enfim, curiosidades à parte, neste primeiro dia, me juntei à repórter Thais Borges. Ela está fazendo duas reportagens mais amplas do que o normal e que exigem um tempo maior de apuração.
Uma das pautas diz respeito às quadras esportivas que existem pela cidade. Fomos até um campo na Federação e uma quadra de uma praça, na Ondina. Chegando nestes lugares, nos surpreendemos com as condições em que os lugares se encontravam.
No campo localizado na Federação, alguns meninos brincavam no terreno com o chão de terra, cheio de lama por causa da chuva que atingiu a cidade nos últimos dois dias. Ou seja, as crianças estavam bastante sujas. Ora, até aí tudo normal, é o que se espera desses campos com chão de terra, é inevitável. Tão inevitável quanto a bronca das mães quando eles chegam em casa, como nos contam.
O problema começa quando olhamos o restante da estrutura e identificamos lixo, pedras, mato ao redor do campo, redes rasgadas nas traves do gol, além do alambrado cheio de buracos e com fios de arame pontiagudos, que segundo os meninos até já feriram um dos colegas.
A situação é semelhante em uma das praças da Ondina em que uma quadra apresenta o alambrado bem danificado por causa do salitre já que a praça fica bem à beira da praia. O efeito se repete também nas traves. Em uma delas os jovens tiveram que improvisar um apoio com uma barra de ferro para que o travessão não caísse em decorrência do metal corroído pela ferrugem.
Após fazermos essas incursões, voltamos à redação para dar um retorno ao editor de cidades Juan Torres. Ele pediu a Thais para apurar alguns detalhes de outras pautas mais factuais que já estavam em andamento e que depois voltássemos com o fotógrafo para fazer imagens das quadras e de um dos personagens da matéria.
Foi então que comentei com Thais que ela estava com pelo menos quatro pautas. Uau! Em meio a telefonemas e papeladas, a apuração corre solta. Experiência que descrevo como enlouquecedora, cansativa, mas também estranhamente fascinante. Vai entender…
Como se o dia não pudesse ficar mais corrido, quando estávamos voltando a uma das quadras para mostrar o local ao fotógrafo, recebemos uma ligação do editor nos avisando sobre um assalto numa agência do Bradesco na Avenida Barros Reis, que havia ocorrido no meio da tarde… É, na redação o tempo passa tão rápido quanto no aquário. Porém, o movimento constante do repórter é regra.