
Linda Bezerra
Desde a primeira vez em que tive a oportunidade de conversar com Linda Bezerra, há três anos, ela fazia questão de dizer que a qualidade do jornalista está diretamente ligada a sua capacidade de apuração dos fatos. Na época, a entrevistei para um trabalho da faculdade. Hoje, como integrante do programa Jornalismo de Futuro, volto a ouvir da editora de produção a mesma orientação: apurar é a alma do negócio.

Victor Uchôa
Nós, estudantes de jornalismo, não temos dúvida que não há boapauta que resista à preguiça e ao desconhecimento sobre o que se escreve, mas, vez ou outra caímos na armadilha de não esgotar a nossa fonte. Esta semana, tive a oportunidade de acompanhar um jovem repórter e editor na apuração de uma reportagem especial, o Victor Uchôa. Ele não vai ás ruas com frequência, mas pela riqueza de seu texto e sua habilidade em desdobrar os fatos, a missão lhe foi entregue. Observá-lo foi uma grata lição!
Partimos ao encontro da fonte e tivemos que aguardá-lo pacientemente. Tratava-se do filho de uma personalidade histórica de alcance nacional que falaria sobre projetos de preservação da memória do pai. Assim que o entrevistado chegou, Victor começou uma breve conversa, demonstrado que conhecia todas as informações sobre a vida e trajetória do mártir perfilado. Percebi a satisfação do entrevistado em conversar com alguém que realmente conhecia a importância de seu pai. Isso fez brotar uma simpatia e boa vontade em indicar mais fontes, contatos e contar curiosidades de família.
Lembrei muito do que Linda havia nos dito: vou repetir a vocês que apuração é tudo, como se fosse um mantra. E é isso mesmo! Victor fazia uma pergunta e a repetia se fosse necessário, se a fonte divagasse. Fazia a mesma pergunta de forma diferente para dar continuidade à história. Ouvia com atenção as lembranças de infância, as saudades e as queixas. O engraçado foi quando o entrevistado recebeu uma ligação e o repórter, gentilmente, pediu que ele atendesse. Ao ouvir que ele falava com a Secretaria de Cultura (Secult), perguntou se era referente ao assunto da matéria. E não é que era! E não é que ele conseguiu a fonte junto a Secult!
Andamos pelo bairro, onde fica situada a casa onde o pai da fonte morou, fomos à casa de pessoas mais velhas, que poderiam ter conhecido a família e assim descobrimos um universo de informações. No final do tarde, Victor ainda encontrou tempo para irmos ao cemitério fotografar a campa do personagem central da matéria. A lápide foi criada por um arquiteto famoso. Indicação do nosso entrevistado, hein?
Victor me disse que vai necessitar de mais tempo para concluir a reportagem do que havia planejado, devido ao número de novas fontes. Na redação, decidiu que uma das informações vai virar uma nova pauta por conta do ineditismo. Realmente nele não há preguiça! Não há impaciência com as fontes! Conversei sobre essa tarde com Linda, ela disse que eu fui sortuda. Fui mesmo!